Esclarecendo alguns pontos

Bernarda Maia February 17th, 2008

Eu estou tentando me acostumar com as peculiaridades culturais australianas. Tem algumas coisas que não consigo entender muito bem e gostaria que os meus poucos leitores me ajudassem.

Eu cheguei aqui há quase 3 meses. O primeiro desafio encarado foi o linguístico, me acostumar com o Inglês em si, com as gírias e expressões, que não são poucas e que ainda estou me acostumando e aprendendo, tais como: shout you, mate, what’re you up to?, beautiful! (sempre falado quando algo é muito bom e geralmente com a seguinte intonação: beeeautiful!), no worries (essa é muito comum), cool bananas (eu já ri muito dessa expressão), Jeez! (abreviação para Jesus e sempre falado assim: Jeezz!), Fugly ( mistura de fucking ugly), enfim, tem muitas outras ainda que não me lembro ou ainda não sei.

O segundo é com a maldita mão invertida dessa cidade. Até na escada rolante este povo pára do lado esquerdo, caso alguém queira passar e ficam emburrados caso a gente ocupe o lado direito, mesmo sendo um casal e estando de mãos dadas, um do lado do outro. Cheguei a conclusão que povos desenvolvidos não tem tempo a perder mesmo, nem na escada rolante!

Ainda neste sengundo desafio, outra coisa terrível com a mão invertida é fato de ter que atravessar a rua olhando para todos os lados, até pra cima e pra baixo eu olho. Em todos os sinais, quando abre para os pedestres, tem um aviso sonoro para cegos, assim como rampa de acesso para cadeirantes. Essa cidade chega a ser perfeita demais às vezes, não me dá a menor chance de falar mal, ao menos em alguns quesitos, como este.

O próximo desafio será alugar um carro, que certamente terá câmbio automático, nem preciso dizer o motivo, certo? Pode deixar que conto aqui a experiência, se estiver inteira, claro.

O terceiro desafio que enfreitei é quanto ao comportamento diante das pessoas que conhecemos recentemente e por conseguinte não temos intimidade. Lidar com a cultura alheia é algo bem complicado. O povo britânico é famoso por sua formalidade, o australiano, por ter sido colonizado pelos britânicos, teoricamente têm uma postura parecida. Bem, a teoria até que funciona, às vezes.

Deixem-me explicar do que estou falando. Logo quando cheguei aqui, umas meninas que conheci do trabalho do meu marido me disseram que sempre que me convidassem para uma festa ou reunião em casa, eu deveria levar uma bebida e algum agrado para a dona/o da casa, tipo um chocolate ou flores, pois era o esperado. Ok, eu poderia fazer isso no Brasil também, mas acho que no meu país as coisas são bem menos formais, levaria certamente umas cervejas e estaria ótimo, dado os amigos que tenho e amo.

Eis que um dia, eu e meu marido convidamos um casal para jogar um jogo de tabuleiro aqui em casa há umas semanas e eles não trouxeram nada e nas vezes seguintes continuaram não trazendo. Eu não ligo, e não estou fazendo nenhuma crítica, pois como uma boa brasileira, minha casa estava cheia de bebida e comida. Só concluí que o de praxe não era tão de praxe assim. Mas depois pensei, será que é pelo fato de sermos brasileiros, já que todos dizem que somos casuais? (casual é um adjetivo que me preocupa pela proximidade com o mal-educado, mas não vou discutir isso, foi só uma reflexão)
Bem, quando uma inglesa que também não tenho tanta intimidade, veio jantar aqui em casa, ela trouxe champagne e flores. É, acho que os ingleses são realmente formais e os australianos são como os brasileiros no final das contas, o que é ótimo pois não me fará forçar uma educação que não é a minha e evita me deixar sem graça.

Outra coisa que eu aprendi com um grande amigo australiano que fala português, é que os australianos não falam a letra R e nós, principalmente os cariocas, falamos tudo com R. Ele quem fez a montagem da foto acima. Outro dia ele estava falando coloful e eu não entendia, e ele repetiu coloful , coloful, acho que na terceira vez entendi…ahhhhh coloRful!
Ele sempre me diz: para falar como um australianos você tem que esquecer a existência do R.

Bom, caro amigo, tenho uma coisa a dizer: Não é só do R que tenho que esquecer, preciso aprender e esquecer de muitas coisas para viver bem aqui, mas até que estou gostando muito!

7 Responses to “Esclarecendo alguns pontos”

  1. Phillip Calçadoon 17 Feb 2008 at 2:05 pm02

    Excelente texto :)

    te amo

  2. Pacha Urbanoon 18 Feb 2008 at 2:05 am02

    Eu fico imaginando a quantidade de gafes que nós brasileiros devemos pagar em um país estrangeiro tão diferente do nosso. Nós temos a triste mania de estender o nosso quintal até onde a vista alcança, fazendo de nós “eternos casuais” (no mau sentido). E isso não é só em país desenvolvido não, é em toda parte mesmo. Tenho viajada a alguns países da América Latina por conta do meu novo emprego e sempre fazem observações muito negativos sobre nós, embora nos tratem muito bem. Gostam dos brasileiros, mas é como aquelas pessoas que fazem carinho no cachorro mas quando ele sobe nelas elas ficam mais sérias. Não sem razão, né? Eu, por via das dúvidas, continuaria levando alguma lembrancinha quando fosse na casa de alguém, mesmo que isso se tornasse um hábito. Porque quando a gente já tem a fama, fica muito mais difícil tirá-la, e qualquer coisinha se torna maior do que é de fato. Bê, incrível este seu post, estou mesmo muito contente de ter lido uma coisa nova aqui. Como diria a sabedoria popular carioca: “Não pára, não pára, não pára, não!”

  3. Pollyon 22 Feb 2008 at 2:05 pm02

    Um bom é que a gente acostuma com tudo!!!!!!! no fim tudo vai dar certo:) tive as mesmas percepções que vc qdo cheguei, sobre o inglês, gírias, lado esquerdo na escada rolante (”excuse-me!”), olhar pra TODOS os lados ao atravessar a rua, rs… só não sabia desse negócio de levar algo qdo se vai a casa de alguém, eu hein?? rs…. os amigos do pat qando vêem aqui nunca trazem nada nao, eu nunca tive essa expectativa tbém…qdo vou a casa de alguém geralmente tem algo acontecendo e daí a gente leva sim o que vamos beber, rs…

    Como é o noe desse cara na foto com vc?? menina, acho que eu o conheci… pergutna a ele se ele é amigo da Alícia esposa do Steve…ahahhhaahhaha…nos conehcemos no aniversário dela, ano passado no restaurante copacabana, rs…
    bjs

  4. Andre Mirandaon 26 Feb 2008 at 2:05 pm02

    Eu pelo menos já atravesso olhando pra tudo quanto é lado desde pequeno porque pode até ter alguém fazendo cooper pelo meio fio na contramão(já vi esbarrões assim), ou qualquer outra coisa se deslocando em sentido contrário ao trânsito e eu é que não dou mole pro azar, então neste aspecto me daria bem aí.

    Agora, a mão invertida acho que me pegaria volta e meia também, e quanto as comandos invertidos segundo minha prima que mora há anos na Inglaterra e demorou muuito pra aprender a dirigir aqui no Brasil, em pouco tempo dá pra se acostumar hehehe

    No dia que for aí levo o fusca de navio, aí não preciso me preocupar com os comandos :)

    Beijos Be.

    Abraço pro Phil.

  5. Beatrizon 01 Mar 2008 at 2:05 am03

    Be, querida!
    Li esse seu texto e me deu uma vontade gigante de estar aí! Acho que vou abrir uma poupança com o nome “Aussie”!

    bjs!

  6. Ninaon 02 Mar 2008 at 2:05 pm03

    Gatammm, tinha esquecido que vc tem blog! Só está pecando na atualização, hein?….hehehe eu sei, eu sei, full agenda.
    Essa parte do “levar algo” ao fazer visita seria ótimo pra mim, sempre quis fazer uns biscoitinhos duros em casa e decorar com geléia de tangerina huhuhuh
    Como assim, esquecer do R??? Nem pensarrr!! hehehehe
    Eu tb sempre tive pressa nas escadas rolantes, mas demoraria uma eternidade para aprender a mão certa…credo, que esquisito!
    Mesmo assim, acho isso tudo muito fascinante, tudo que é novo me atrai. Issaê, B, continue aprendendo, moça!
    Bjs com saudades !!!!

  7. Vivi Maureyon 04 Mar 2008 at 2:05 am03

    Putis!!
    Eu só posso imaginar o quanto deve ser diferente em relação a tudo, risos.
    Agora, a parada do R é bizarro!! Só australiano mesmo, hahahahaha :)
    AHH eu gostei de saber das gírias, quando souber outras vai postando!!! Eu me amarro em aprender essas coisas, aliás, eu fiquei surpresa, pq a gíria do “beeeeeeautiful” eu tenho desde que eu tinha uns 16, 17 anos, :P
    Achei que fosse coisa de carioca que sabe falar inglês, ahahahaahah

    To curiosa, to curiosa!!! Quero mais!! :)
    Beijooooooo
    *saudades*

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