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Docklands, Arquitetura e Água em Melbourne

Bernarda Maia December 29th, 2007

água e construçao

Um local não muito diferente dos outros do mundo. Por aqui imperam as Men’s houses, é uma do lado da outra. Com cartazes atraentes como “Models & Show Girls”. A diferença por aqui é que as casas antigas, ao menos do lado de fora, parecem bem cuidadas.

Mas não param de subir prédios novos residenciais, especialmente na região das Docas (Docklands). A modernidade sobe junto. Confesso que prefiro a Melbourne estilo européia, de casas com arquitetura de estilo da Era Vitoriana e prédios baixos e sem muito colorido pois em pouco tempo esta cidade estará cheia de arranha-céus, como Miami. Espero que eu não esteja mais morando aqui pra ver isso.

Fiquei me perguntando se existe por aqui um IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como aí no Brasil. Pois ao passar pela antiga estação de trem, vi que havia uma placa anunciando a venda de escritórios. Ou seja, vão destruir aquela contrução???!!!! Espero que não, espero que a placa esteja ali apenas por ser um local etratégico para propaganda, já que fica em frente ao Telstra Dome, um estádio de football (que é bem diferente de soccer).

Procurei no site do governo da Australia e não é que achei! Existe o Heritage Council of Victoria, neste caso o conselho é específico para o Estado de Victoria, onde fica Melbourne. Mas existem outros para os outros estados e um Conselho Geral da Austrália, que abriga vários conselhos, como o da Herança Aborígene em todos os Estados. Fiquei mais feliz ainda em descobrir que existe um Departamento específico para a Sustentabilidade e Meio-ambiente aqui de Victoria, onde eles tomam conta das fontes naturais. Brilhante! Mas precisavam mudar a fonte de energia elétrica. Ao invés de usar carvão mineral, poderiam pensar em energia solar (que já vi por aqui, mas também é muito cara como no Brasil) e/ou eólica, já que combustíveis fósseis, como o carvão mineral, petróleo e gás natural, são poluidores do meio-ambiente.

Uma preocupação crescente por aqui é com a água. Existe um Departamento do governo australiano, o Department of the Environmente, Water, Heritage and the Arts, que trata disso. Li um post no blog de uma brasileira que mora aqui em Melbourne sobre as restrições de água enquanto pesquisava sobre meio-ambiente e fiquei bem impressionada com a precupação que eles tem por aqui. A Polly, autora do blog , mostrou bem como a situação é alarmante, vale a pena ir lá conferir.

Existe, por lei, uma grande restrição aos múltiplos usos da água. Desde a proibição de molhar a grama (que está sendo extinta por aqui, em volta das árvores são usadas pedrinhas), até a possibilidade de se construir uma piscina. Existem 5 estágios de restrição do uso na zona urbana que são aplicados de acordo com o nível da água nos reservatórios. Atualmente a cidade está no quarto, o estágio 3A, onde as regras são severas e as multas por desobediência também, podendo o indivíduo que desobedecer ter a sua água cortada e ser processado.

Assim, a pessoa ou estabelecimento comercial que molhar o jardim com mangueira, fora do período estipulado pela lei, usar mangueira para lavar carro, encher novas piscinas ou qualquer local novo que requeira uso de grande quantidade de água (as já existentes tem um limite de litros de acordo com o tamanho), está sujeito a penalidades. E existe um disque-denúncia só para isso.

É claro que, com tantas restrições, a alternativa de reciclar a água tem sido adotada pelas residências, inclusive a da chuva. Eu ainda não vi, mas segundo o blog da Polly, as casas possuem placas na frente dizendo que ali a água é reciclada. O que eu já vi, foram restaurantes fechados, principalmente em Chinatown, por uso indevido da água, assim como, nos parques e jardins que possuem fontes ou laguinhos, placas avisando que o motivo para estarem vazios é justamente em respeito às restrições.

Uma forma interessante de reciclagem, é a da água usada em máquinas de lavar roupa e louça. Esta água, que a princípio não poderia ser utilzada, pois contém produtos químicos, está sendo tratada nas próprias casas e edifícios. Existem hoje no mercado produtos de limpeza, que visam justamente a reutilização desta água, que é chamada de greywater. Mas é importante perceber que o governo aconselha o uso desta água apenas nos períodos de seca, pois existe risco de saúde para o uso a longo prazo e é claro que existem regras para utilizar esta água, ninguém vai molhar vegetais que serão consumidos crus, com a água do banho, por exemplo, mas lavar a mão, sim.

Com um problema tão grande, volto ao início deste post e me deparo com um embate antigo, entre o dinheiro e o meio-ambiente. Se por um lado existe uma cidade crescendo, com prédios modernos subindo, por outro temos um problema muito grave para a população que é a falta d’água. Será que o novo governo está preparado para enfrentar os grandes empresários? Esta cidade está crescendo sem infra-estrutura e é com isto que o governo deve se preocupar. Ao menos o novo primeiro ministro, Kevin Rudd já deu um passo importante ao assinar o Protocolo de Kyoto, sinal que há uma preocupação com o meio-ambiente por parte do novo governo. Mas esta foi apenas um passo importante, aguardemos o que está por vir.