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Coisas que sinto falta e outras…nem tanto

Bernarda Maia March 5th, 2008

Foto tirada pelo Phillip com seu celular Nokia N95

Eu já falei algumas vezes aqui do desafio de estar num país novo, das coisas diferentes com as quais estou tendo que me acostumar. É claro que com o tempo eu irei me acostumar e certamente sentirei até falta se um dia voltar. Mas o problema são as coisas que sinto falta do Brasil. Estas sim são bem difíceis de lidar.

Acho que o que mais sinto falta, sem sombra de dúvidas, é do Mate Leão Diet. Comecei até a agradecer por ele ter sido vendido para a Coca-Cola, o que na época da venda me deixou bem decepcionada, e estou torcendo para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) liberar logo a venda, pois assim existe alguma possibilidade de ter aqui também. Às vezes sinto o sabor surgir na minha memória, e me dá uma saudade enorme. Nada como um Mate geladinho! A sengunda bebida que sinto falta é do guaraná Antártica, mas este ainda consigo encontrar aqui, e como não bebo muito refrigerante, nem é tão problemático assim.

A comida aqui é bem diferente também, acho que não existe uma comida tipicamente australiana, e se você olhar ao redor, verá comida do mundo todo, asiática principalmente, e todos adoram. Eu posso dizer que em toda a praça de alimentação tem vários fast food chineses e japoneses, pelo menos um indiano e um KFC ou alguma coisa de frango, como o Nando’s - que é uma cadeia de fast food daqui. O problema é que todas estas comidas são muito gordurosas, eu até gosto de comida indiana, mas geralmente só como a carne e deixo o molho em que a carne vem, pra lá, pois é super oleoso. Acho que a comida que mais gosto é a Grega. Adoro Mussaka, um bolo de carne moída com beringela. É uma delícia, bem temperada e sem farinha nenhuma. E o melhor é que tem um restaurante Grego 24 horas aqui na esquina, chamado Stalactites, que é uma delícia.

Ainda falando sobre comida, uma coisa que nunca me fez falta mas que foi muito bom achar por aqui, foi feijão preto, eu nem como muito, mas de vez em quando é tão bom sentir o gostinho…e graças a Polly, uma querida amiga brasileira que conheci aqui, agora temos farofa! Ela me trouxe farofa e Café Pilão que conseguiu na Casa Ibérica, local que preciso visitar! Ainda não fui. Foi tão bom tomar o nosso café…

Outras coisas que queria que tivessem aqui: achocolatado Diet Gold, que sempre tomava de café da manhã, iogurt sem açúcar, geléia sem açúcar, peito de peru Sadia, Restaurante à Quilo (ai que saudade!!!), saquinho de sal no cinema (a pipoca é completamente sem sal), polenguinho, queijo minas, requeijão, sucos naturais como os do Bibi Sucos, a salada que eu montava no Bibi Sucos, o café da manhã do Cafeína (especialmente lendo jornal com o marido nos fins-de-semana), uma boa manicure e pedicure, chiclete Trident de Canela, mamão papaya, bala Halls de cereja diet, a linha Diet de sorvetes do Itália, revistinhas da Turma da Mônica (eu era assinante), água de coco na praia…tenho certeza que me lembrarei de mais coisas que me escaparam agora.

Só uma observação: os produtos que dizem ser diets aqui, na verdade não são, a grande maioria tem açúcar.

Também sinto falta dos dias agradáveis de verão do Rio. Aqui o clima é tão inconstante!!! Posso acordar com um dia chuvoso e frio e terminar com um belíssimo pôr-do-sol, sem exagero nenhum.

Das coisas que não sinto falta:

Outro dia estava passando embaixo de uma ponte e senti aquele cheiro de poluição e me dei conta que não sentia este cheiro há muito tempo! O Rio nem é uma cidade tão poluída como São Paulo, por exemplo, mas sentia bastante este cheiro que aqui não sinto, confesso que queria saber sobre os índices de poluição de Melboune, ainda vou dar uma checada e ver o que acho.

Outra coisa que definitivamente não sinto falta, e muitos amigos me falaram quando vim pra cá que eu ia esquecer que existe, são dos mendigos na rua. Aqui tem, claro. Mas nada comparado às ruas do Rio, menos ainda por não ver criança, o que era deprimente pra mim, outro dia cheguei a sonhar com um menininho que sempre ficava na esquina lá de casa, em Copacabana, me dava uma pena, ele era tão magrinho! Dá vontade de chorar só de lembrar.

Aqui, só me pediram dinheiro uma vez, mas de uma forma bem menos ofenciva, e não me xingaram por não ter dado. O que penso é que estes mendigos vivem no centro da cidade, possivelmente eu os vejo mais que a maioria da população, pois moro no centro, pois quem mora no suburbio não tem tanto contato com a pobreza desta forma. Outro dia uma amiga teve sua casa roubada, levaram tudo, mas como estava assegurada, o prejuízo foi mesmo emocional. Ela e o namorado moram num subúrbio que não é dos mais quietos, mas também não acontece este tipo de coisa o tempo todo. E violência aqui, tem uma repercussão enorme, não faz parte do dia-a-dia deles. Acho que para nós, brasileiros, é só mais uma notícia para aumentar as estatísticas, já estamos acostumados, o que é muito triste.

Eu já me peguei pensando nas coisas que sentirei falta daqui, se voltar para o Brasil, confesso que já tenho algumas, mas estas ficarão para um próximo post…

Esclarecendo alguns pontos

Bernarda Maia February 17th, 2008

Eu estou tentando me acostumar com as peculiaridades culturais australianas. Tem algumas coisas que não consigo entender muito bem e gostaria que os meus poucos leitores me ajudassem.

Eu cheguei aqui há quase 3 meses. O primeiro desafio encarado foi o linguístico, me acostumar com o Inglês em si, com as gírias e expressões, que não são poucas e que ainda estou me acostumando e aprendendo, tais como: shout you, mate, what’re you up to?, beautiful! (sempre falado quando algo é muito bom e geralmente com a seguinte intonação: beeeautiful!), no worries (essa é muito comum), cool bananas (eu já ri muito dessa expressão), Jeez! (abreviação para Jesus e sempre falado assim: Jeezz!), Fugly ( mistura de fucking ugly), enfim, tem muitas outras ainda que não me lembro ou ainda não sei.

O segundo é com a maldita mão invertida dessa cidade. Até na escada rolante este povo pára do lado esquerdo, caso alguém queira passar e ficam emburrados caso a gente ocupe o lado direito, mesmo sendo um casal e estando de mãos dadas, um do lado do outro. Cheguei a conclusão que povos desenvolvidos não tem tempo a perder mesmo, nem na escada rolante!

Ainda neste sengundo desafio, outra coisa terrível com a mão invertida é fato de ter que atravessar a rua olhando para todos os lados, até pra cima e pra baixo eu olho. Em todos os sinais, quando abre para os pedestres, tem um aviso sonoro para cegos, assim como rampa de acesso para cadeirantes. Essa cidade chega a ser perfeita demais às vezes, não me dá a menor chance de falar mal, ao menos em alguns quesitos, como este.

O próximo desafio será alugar um carro, que certamente terá câmbio automático, nem preciso dizer o motivo, certo? Pode deixar que conto aqui a experiência, se estiver inteira, claro.

O terceiro desafio que enfreitei é quanto ao comportamento diante das pessoas que conhecemos recentemente e por conseguinte não temos intimidade. Lidar com a cultura alheia é algo bem complicado. O povo britânico é famoso por sua formalidade, o australiano, por ter sido colonizado pelos britânicos, teoricamente têm uma postura parecida. Bem, a teoria até que funciona, às vezes.

Deixem-me explicar do que estou falando. Logo quando cheguei aqui, umas meninas que conheci do trabalho do meu marido me disseram que sempre que me convidassem para uma festa ou reunião em casa, eu deveria levar uma bebida e algum agrado para a dona/o da casa, tipo um chocolate ou flores, pois era o esperado. Ok, eu poderia fazer isso no Brasil também, mas acho que no meu país as coisas são bem menos formais, levaria certamente umas cervejas e estaria ótimo, dado os amigos que tenho e amo.

Eis que um dia, eu e meu marido convidamos um casal para jogar um jogo de tabuleiro aqui em casa há umas semanas e eles não trouxeram nada e nas vezes seguintes continuaram não trazendo. Eu não ligo, e não estou fazendo nenhuma crítica, pois como uma boa brasileira, minha casa estava cheia de bebida e comida. Só concluí que o de praxe não era tão de praxe assim. Mas depois pensei, será que é pelo fato de sermos brasileiros, já que todos dizem que somos casuais? (casual é um adjetivo que me preocupa pela proximidade com o mal-educado, mas não vou discutir isso, foi só uma reflexão)
Bem, quando uma inglesa que também não tenho tanta intimidade, veio jantar aqui em casa, ela trouxe champagne e flores. É, acho que os ingleses são realmente formais e os australianos são como os brasileiros no final das contas, o que é ótimo pois não me fará forçar uma educação que não é a minha e evita me deixar sem graça.

Outra coisa que eu aprendi com um grande amigo australiano que fala português, é que os australianos não falam a letra R e nós, principalmente os cariocas, falamos tudo com R. Ele quem fez a montagem da foto acima. Outro dia ele estava falando coloful e eu não entendia, e ele repetiu coloful , coloful, acho que na terceira vez entendi…ahhhhh coloRful!
Ele sempre me diz: para falar como um australianos você tem que esquecer a existência do R.

Bom, caro amigo, tenho uma coisa a dizer: Não é só do R que tenho que esquecer, preciso aprender e esquecer de muitas coisas para viver bem aqui, mas até que estou gostando muito!

Rubber Duck Race - English Version

Bernarda Maia February 13th, 2008

The Australia Day was Saturday 26th of January and here, when a holiday falls in a weekend, the holiday passes to Monday. If we do that in Brazil we wouldn’t work any more because we have so many holidays most of which are useless.

The weekend had lots of celebrations around the country, including, in Melbourne, lots of things like expositions, exhibitions of films, the nomination of the Australian citizen of the year, concerts and a RUBBER DUCK RACE!

Yes, that’s it! The rubber duck race happens every year on the Yarra River. You buy your numbered duck on the website of the race for AU$5. Unfortunately we discovered it too late, because the winner won a car.

When I heard about the race I though it was bizarre but when I saw the pictures of twelve thousand ducks in last year’s race on the Internet, I convinced myself that it was true. This year there were 27,000 rubber ducks with their swimming caps (painted, of course) ready to start.

There was a Drag “Duck” Queen who was responsible for the beginning of the race. She was wearing yellow clothes and an embroidered umbrella also yellow. It was very funny but the funniest thing was the narration of the race by a guy who didn’t have much to say because the race finished in 5 minutes and number 25,888 was the winner.

The race was managed from four boats. Between two of the boats were swimming pool lane ropes and the ducks swam through this lane. The other two boats helped to keep the ducks inside the lane and picked up those that escaped. Some ducks, however, were getting close to the riverbank, the boats couldn’t get them, and children ran to get them (I tried also). There was a boy with an Australian flag over his shoulders who jumped into the river, took some of the rubber ducks and threw them to the children on the side, waiting.

I found it very interesting to see Australian citizens wearing clothes with the Australia colors and flags on their national day, especially the young citizens, because it demonstrates that they are proud of their nation.

The 26th of January 1788 was the day that the English Captain Arthur Phillip arrived in Sydney, New South Wales, and established a new colony. Since then, this day has been celebrated as not only the day that the first Europeans arrived but also as the start of Australian history, at least in the eyes of the world, because like the Brazilian Indians in my own country, the Aborigines had been living here for thousands of years.

Whoever had this idea of a rubber duck race, had a strange idea but it works!

Rubber Duck RACE?!!!!!

Bernarda Maia January 29th, 2008

O Australia Day foi sábado passado, dia 26, mas aqui, se um feriado cai num Sábado ou Domingo, Segunda-feira passa a ser feriado. No Brasil, se fizessem isso, não teria mais trabalho, pela quantidade de feriados!

O Final de semana foi cheio de comemorações pela cidade, exposições, fogos, filmes especiais, a escolha do cidadão australiano do ano, shows e uma corrida de PATO DE BORRACHA!!!!

Huh????!

É isso mesmo, o Rubber Duck Race ocorre todo ano no Yarra River e você pode comprar o seu pato numerado pela internet por 5 dólares, pena que vimos isso tarde demais, pois o prêmio para o vencedor foi um carro.

Quando eu ouvi falar da corrida, achei muito bizarro, meio impossível de ser verdade. Mas quando vi as fotos na internet eu tive que me convencer, eram 12.000 patinhos “correndo”. Este ano foram 27.000 patinhos com suas toquinhas de natação na cabeça (pintadas, claro), preparados pra largar. A largada foi dada por uma Drag Queen Pato, toda de amarelo e uma sombrinha rendada amarela também. Mais engraçado ainda era a narração da corrida, que eu jurava que demoraria horas, mas em 5 minutos já tínhamos um vencendor, o número 25.888.

Eles colocam duas raias de piscina enormes entre uma balsa e outra e prendem-os atrás das grades em uma das balsas, quando a Drag Queen dá a largada, os barcos de suporte, que estão nas laterais, levantam a grade e eles começam a se espalhar pelo rio, entre as raias. Clare que alguns patos fugiram do limite das raias e logo começaram a se aproximar de uma das margens do rio, fazendo a criançada correr pra tentar pegar um (eu também, na verdade). Teve um garoto mais velho, com a bandeira da austrália amarrada que nem capa de super herói nas costas, que pulou no rio e começou a jogar os patos fugitivos pra galera.

É bem interessante ver os cidadãos australianos usando a bandeira amarrada nas costas como capa no Australia Day. Principalmente entre os jovens, vi muitos deles assim aqui. Sinal de que o sentimento nacional por aqui é grande, motivo de orgulho. O dia 26 de janeiro é celebrado por ter sido o dia em que, em 1788, o Capitão inglês Arthur Phillip, chegou a Sydney, em New South Wale, e estabeleceu aqui uma colônia. Foi o primeiro Europeu a pintar por aqui e começar a história da Austrália, ao menos aos olhos do mundo, pois assim como os índios brasileiros, os aborígenes já habitavam estas terras há séculos.

Seja lá quem teve a idéia de fazer uma corrida de patos de borracha, teve uma idéia estranhamente divertida!

Pirulito e boate

Bernarda Maia January 2nd, 2008

Acabo de ler uma notícia no site da BBC Brasil que me chamou a atenção. Em uma cidade no centro da Grã-Bretanha, no condado de Buckinghamshire, as boates e bares têm distribuído na saída pirulitos e as autoridades locais atribuem a isso a redução da violência durante o mês de dezembro, quando os pirulitos passaram a ser distribuídos.

Os efeitos são claros, aumento de açúcar no sangue deixa a gente mais feliz e menos bêbado. O que me deixou intrigada com esta notícia está no fato de ter visto a mesma prática por aqui. Nas portas de alguns bares e boates vi potes com pirulitos para os fregueses. Será que por aqui a violência também diminuiu? Será que é o mesmo motivo? Vou tentar descobrir, mas deve ser sim. Adiciono ainda que aqui tem bastante loja de balas, numa delas, aqui perto, dá para ver na vitrine as moças fazendo a goma.

New Years Eve

Bernarda Maia January 1st, 2008

A quilômetros do Rio a experiência de quem passou pelo menos os últimos 10 anos assistindo aos fogos na praia de Copacabana foi bem impressionante. O Ano ainda não mudou no Brasil e aqui já estou na manhã do dia 1o. Isso é muito estranho, pensar que agora toda a minha família e amigos estão celebrando o fim de 2007 e aguardando ansiosos pela chegada de mais um ano.

Decidir o que fazer no Reveillon aqui em Melbourne não foi fácil, especialmente porque não conhecemos ninguém, mas isso nunca foi problema para nós, já que no ano passado passamos só nós dois por escolha nossa. Mas morávamos em Copacabana, pertinho da praia. Aqui é um pouco diferente.

Fomos convidados para uma festa na casa dos amigos de um amigo do Phill, e depois iriamos para uma festa fechada numa boate. Festa em casa de desconhecidos não é muito do nosso gosto e boate também não, muito menos de hip hop (estilo musical que é febre por aqui). Declinamos do convite.

Há uns dias, almoçando no restaurante grego aqui da esquina, encontramos um rapaz que trabalha com o Phill. Ele e a namorada sentaram-se, por coincidência, do nosso lado e eu já os conhecia, da festa da empresa do Phill. Conversando sobre Reveillon eles nos disseram que no Rio Yarra tem fogos todos os anos e que é bem animado, decidimos arriscar e ir ver os fogos.

Passei a tarde na cozinha fazendo feijão preto, como não tenho panela de pressão, demorou mais que o normal. Preparei o arroz, temperei o Poterhouse (aqui os cortes de carne são diferentes, então, não me pergunte que parte é essa do boi, pois não entendo nada, só sei que poterhouse é a carne que vem no prato chamado Melbourne do restaurante Outback e é muito macia) e quando deu umas 21:00 estavamos meio altos e sem a menor fome, o jantar de ano novo virou almoço do dia primeiro. Fomos tomar banho e nos arrumar para a virada do ano. As 23:10 nos levantamos pra sair, pego a champagne e os copos e o Phill olha pra mim e diz: Não podemos levar bebida alcoólica. Como não??? É proibido por lei e nessas épocas de feriado a fiscalização é mais forte e a multa é de AU$200. Decepção.

Sem a champagne, fomos em direção a Fed Squere que é no final da nossa rua e onde acontecem os fogos, mas tinhamos que andar uns 5 quarteirões pra chegar lá. No caminho vimos que as ruas estavam movimentadas e ao chegarmos na Fed Square, estava acontecendo um show num palco montado de uma banda que não conhecemos, mas que tinha um som bem legal. Estava cheio, mas nada impossível de se locomover. Resolvemos ir para as margens do Rio, tinha uma balsa enorme, de onde sairiam os fogos e eu estava ansiosa pra fazer minhas primeiras fotos de fogos com minha câmera nova. Mas estava bem cheio ali e acho que os australianos não sabem muito bem conviver em lugares lotados. Foi bem irritante ver um monte de gente tentando correr onde era impossível, ainda mais num calor desagradável. Ontem a noite fez 30 graus, durante o dia chegou a 42!

10, 9, 8 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1! Happy New Year! Eu e Phill, claro, nos desejamos Feliz Ano Novo, em português. Assim como os milhares de japoneses, chineses, viatnamitas, coreanos e indianos, que estava ao nosso redor, falaram em suas línguas. Foi bem interessante a mistura linguística deste momento. Mas o que predominou foi o inglês mesmo.

10 minutos de fogos belíssimos em vários pontos ao longo do Rio, cobriram o céu do centro de Melbourne e a minha conclusão foi que, aqueles fogos deviam ser dos criadores, dos Chineses! Tudo aqui é made in China. Nem tudo, ok, mas muita coisas vem de lá, porque não comprar algo finalmente original, então?

Os fogos terminaram e voltamos pra casa junto ao mar de gente que, segundo a polícia, foram 500.000 pessoas, bem melhor que as duas milhões de Copacabana. Chegamos em casa e estouramos a champagne, a rolha voou quarenta e um andares abaixo. Nos refrescamos, liguei para minha mãe pelo skype, a velha ficou toda emocionada, e meio ao estilo “Samara” do filme “O Chamado” a TV ligou, tudo bem, o controle estava entre o sofá e a parede, mas surrealmente aparece na tela os nomes dos atores do filme que começava: Fernanda Torres, Fernando Guimarães, Marisa Orth, Evandro Mesquita ao som de um cantor Afro-Americano cantando em inglês…alguns minutos olhando pra tv meio sem entender. PÔ, É “OS NORMAIS” legendado em inglês! (gargalhadas) Assistimos ao filme todo e fomos dormir às 3 da manhã com aquela sensação de mais um ano se foi, e fizemos o nosso trabalho direitinho.

Feliz Ano Novo!

Docklands, Arquitetura e Água em Melbourne

Bernarda Maia December 29th, 2007

água e construçao

Um local não muito diferente dos outros do mundo. Por aqui imperam as Men’s houses, é uma do lado da outra. Com cartazes atraentes como “Models & Show Girls”. A diferença por aqui é que as casas antigas, ao menos do lado de fora, parecem bem cuidadas.

Mas não param de subir prédios novos residenciais, especialmente na região das Docas (Docklands). A modernidade sobe junto. Confesso que prefiro a Melbourne estilo européia, de casas com arquitetura de estilo da Era Vitoriana e prédios baixos e sem muito colorido pois em pouco tempo esta cidade estará cheia de arranha-céus, como Miami. Espero que eu não esteja mais morando aqui pra ver isso.

Fiquei me perguntando se existe por aqui um IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como aí no Brasil. Pois ao passar pela antiga estação de trem, vi que havia uma placa anunciando a venda de escritórios. Ou seja, vão destruir aquela contrução???!!!! Espero que não, espero que a placa esteja ali apenas por ser um local etratégico para propaganda, já que fica em frente ao Telstra Dome, um estádio de football (que é bem diferente de soccer).

Procurei no site do governo da Australia e não é que achei! Existe o Heritage Council of Victoria, neste caso o conselho é específico para o Estado de Victoria, onde fica Melbourne. Mas existem outros para os outros estados e um Conselho Geral da Austrália, que abriga vários conselhos, como o da Herança Aborígene em todos os Estados. Fiquei mais feliz ainda em descobrir que existe um Departamento específico para a Sustentabilidade e Meio-ambiente aqui de Victoria, onde eles tomam conta das fontes naturais. Brilhante! Mas precisavam mudar a fonte de energia elétrica. Ao invés de usar carvão mineral, poderiam pensar em energia solar (que já vi por aqui, mas também é muito cara como no Brasil) e/ou eólica, já que combustíveis fósseis, como o carvão mineral, petróleo e gás natural, são poluidores do meio-ambiente.

Uma preocupação crescente por aqui é com a água. Existe um Departamento do governo australiano, o Department of the Environmente, Water, Heritage and the Arts, que trata disso. Li um post no blog de uma brasileira que mora aqui em Melbourne sobre as restrições de água enquanto pesquisava sobre meio-ambiente e fiquei bem impressionada com a precupação que eles tem por aqui. A Polly, autora do blog , mostrou bem como a situação é alarmante, vale a pena ir lá conferir.

Existe, por lei, uma grande restrição aos múltiplos usos da água. Desde a proibição de molhar a grama (que está sendo extinta por aqui, em volta das árvores são usadas pedrinhas), até a possibilidade de se construir uma piscina. Existem 5 estágios de restrição do uso na zona urbana que são aplicados de acordo com o nível da água nos reservatórios. Atualmente a cidade está no quarto, o estágio 3A, onde as regras são severas e as multas por desobediência também, podendo o indivíduo que desobedecer ter a sua água cortada e ser processado.

Assim, a pessoa ou estabelecimento comercial que molhar o jardim com mangueira, fora do período estipulado pela lei, usar mangueira para lavar carro, encher novas piscinas ou qualquer local novo que requeira uso de grande quantidade de água (as já existentes tem um limite de litros de acordo com o tamanho), está sujeito a penalidades. E existe um disque-denúncia só para isso.

É claro que, com tantas restrições, a alternativa de reciclar a água tem sido adotada pelas residências, inclusive a da chuva. Eu ainda não vi, mas segundo o blog da Polly, as casas possuem placas na frente dizendo que ali a água é reciclada. O que eu já vi, foram restaurantes fechados, principalmente em Chinatown, por uso indevido da água, assim como, nos parques e jardins que possuem fontes ou laguinhos, placas avisando que o motivo para estarem vazios é justamente em respeito às restrições.

Uma forma interessante de reciclagem, é a da água usada em máquinas de lavar roupa e louça. Esta água, que a princípio não poderia ser utilzada, pois contém produtos químicos, está sendo tratada nas próprias casas e edifícios. Existem hoje no mercado produtos de limpeza, que visam justamente a reutilização desta água, que é chamada de greywater. Mas é importante perceber que o governo aconselha o uso desta água apenas nos períodos de seca, pois existe risco de saúde para o uso a longo prazo e é claro que existem regras para utilizar esta água, ninguém vai molhar vegetais que serão consumidos crus, com a água do banho, por exemplo, mas lavar a mão, sim.

Com um problema tão grande, volto ao início deste post e me deparo com um embate antigo, entre o dinheiro e o meio-ambiente. Se por um lado existe uma cidade crescendo, com prédios modernos subindo, por outro temos um problema muito grave para a população que é a falta d’água. Será que o novo governo está preparado para enfrentar os grandes empresários? Esta cidade está crescendo sem infra-estrutura e é com isto que o governo deve se preocupar. Ao menos o novo primeiro ministro, Kevin Rudd já deu um passo importante ao assinar o Protocolo de Kyoto, sinal que há uma preocupação com o meio-ambiente por parte do novo governo. Mas esta foi apenas um passo importante, aguardemos o que está por vir.

Beeeee@Cinema

Bernarda Maia December 21st, 2007

Antes de mais nada, assistam ao filme Bee Movie (A História de uma Abelha) que tem como produtor o humorista Jerry Seinfeld. Adoro ele, e o seu estilo de piadas está bastante presente no filme. Lembrem-se que é um desenho, e como tal, sempre tem uns exageros hilários.

Este foi o motivo de nossa primeira ida a um cinema aqui. Rir um pouco após um dia chuvoso e chato. Foi bem interessante assistir a um filme onde eu não tinha a opção de selecionar a legenda (em Inglês, sempre) ou poder voltar para entender a fala. Mas fiquei bem feliz pois entendi praticamente tudo, até me dar conta, quase no final do filme, que o Seinfeld é americano, e é com este Inglês que meus ouvidos estão acostumados.

Lembro-me até hoje, quando soubemos que de fato viriamos pra cá, que baixei uns podcasts em inglês australiano. Me lembro claramente de ter saido algumas lágrimas dos meus olhos. NADA, nem uma frase completa eu entendia! Alguns that aqui, uns what ali, os pronomes, raros verbos. Entrei em pânico. Ainda estou na verdade, dá muito angústia não entender algumas coisas. Mas sinto que já estou bem melhor, especialmente depois de ter percebido que os australianos adoram abrir bem a boca pra falar e colocar A no lugar de O. Mais ou menos assim, ao invés de falarem both, falam bauth.
Almost, que falamos com o A mais fechado eles falam com o A beeem aberto. AAAALmost. Isso tem facilitado bastante a minha vida, ou melhor, meus ouvidos.

Outra peculiaridade interessante do australianês é que todos se chamam de Mate. Hi, mate. By, mate. E eles tem umas expressões muito engraçadas. Se você fala algo interessante ou legal, eles dizem com um certo prolongamento: cooool bananas! Se você pede desculpa, ou agradece algo, eles dizes com um sorriso e balançando a cabeça dizendo não: no worries…

Aqui vocês encontram várias expressões australianas, para quem tiver curisidade.

Outro dia fui num encontro (Meetup) do grupo Melbourne de um pessoal do flickr (www.flickr.com). Não conhecia ninguém, entrei no grupo uma semana antes do encontro e descobri que teria, 15 minutos antes do horário marcado. O encontro foi num bar chamado Workshop, aqui perto. Eu jamais entraria neste bar normalmente, a entrada é pelo portão de uma garagem de uma casa, todo preto com umas pixações, você tem que subir uma escada bem íngrime para chegar num bar fantástico! Além de super bonito, ele tem uma área externa aberta, com uns bancos largos, e umas mesinhas de madeira, tipo barril, mas leves. O lugar é super agradável, cheio de plantas! Neste lugar descobri mais uma expressão. Fui ao bar pegar uma água com gás, e um dos participantes do grupo me recomendou beber um vinho shiraz. Eu aceitei a recomendação e ele disse: I’ll shout you. (eu pago pra você) Achei bem simpático! Outra coisa que achei interessante do lugar é que todo sábado, às 18hs, eles servem um churrasco (basicamente linguiças, pão e salada) de graça!!! Ah! O vinho era muito gostoso, tomei duas taças! Melhor do que o outro shiraz que tomei e comentei num outro post.

Fazendo um retorno ao assunto inicial, e à título de curiosidade, a entrada do cinema é A$15.50 e o Cinema Hoyts, que fica no Shopping Melbourne Central, é igualzinho a um Cinemark. Acho que a diferença estão nas cadeiras, que são bem grandes! Mas acho que a explicação para isso, está no fato de que as pessoas aqui são obesas. Para se ter uma idéia, um dos anúncios antes do filme era do Vigilantes do Peso. Uma anúncio enorme, falando principalmente que de uma geração pra cá, os australianos engordaram muito e que o governo australiano tem gasto Bilhões por causa disso!

E é verdade, eu que não sou gorda, mas sempre tive dificuldade de encontrar roupa pra mim no Brasil, pois tenho muito quadril, aqui acho fácil! O mais bizarro foi que logo após um anúncio enorme desses, entra o do McDonald’s!!!! Isso devia ser proíbido, como o de cigarro é (aqui também é)! E eu estou falando muito sério. Devia ser proíbido anúncio de qualquer coisa que mencionasse comida! Gordura, sal e açúcar, são tão perigosos para saúde quanto cigarro!

Mas enfim, adorei esta experiência de estar num cinema comendo uma pipoca regular que é a grande aí do Brasil, numa quinta-feira, com o meu marido amado! Até porquê, não conseguimos comprar um Wii, vai ficar para o ano que vem, pois está esgotado em tudo quanto é lugar, então precisávamos fazer algo legal para encobrir a frustração.

Festa de fim-de-ano

Bernarda Maia December 19th, 2007

party

Sábado foi a festa de fim-de-ano da empresa que o Phillip trabalha. Estava super curiosa para saber como seria, pois o tema da festa era Glamour.

Arrisquei e coloquei um longo vinho com uma pashmina vinho também, linda!

Cheguei na festa e todas as mulheres que conheci naquele mesmo dia num almoço, estavam de vestido curto. Tudo bem, pois eu não era a única de longo. O problema foi que todos os vestidos curtos eram REALMENTE curtos!!!

Depois da festa passei a reparar nos vestidos de ir pra night daqui nas vitrines, são muito brilhosos e curtííííssimos! Cheguei a conclusão que aquele ditado: “biscate não sente frio”, não funciona aqui, já que vestido curto é moda.

Mas fiquei também sem entender porque o tema da festa era glamour, a não ser que todos aqueles vestidos e ternos fossem de costureiros famosos, não fazia muito sentido.

Uma coisa legal foi que entravamos na festa num tapete vermelho, eramos fotografados por uma fotógrafa hilária e depois eramos entrevistados por uma Ellen DeGeneres gorda, muito figura!!

Ela me perguntou quem era o costureiro do meu vestido e eu disse Carlos Miele, e óbvio que ela não sabia quem era, por isso eu disse: somos do Brasil. Para ela não ficar sem graça…Então ela disse: oooohhhh um vestido de um costureiro brasileiro, esta festa é mesmo muito internacional! E continuou sua “entrevista” dizendo que o Phillip era muito HOT e parecia o Will Smith (?????????????) e que o cavanhaque do Phill era muito sexy. Ok, eu concordo que o Phill seja hot e que fica sexy de cavanhaque, mas parecer com o Will Smith?????? Não, né?

Vamos às músicas. Muitas desconhecidas aos meus ouvidos. Back Street Boys, Britney, Pink e afins pareciam reinar nas pickups do DJ e nas vozes das mulheres da festa. Os anos 70 me fizeram dançar com o Phillip e suar um pouquinho, ao ponto de termos chamado a atenção por estarmos dançando juntos, acho que ficaram curiosos com o jeito latino de dançar, mas infelizmente foram no máximo 20 minutos…e ao final, confesso que fiquei bem feliz em não ter ouvido nenhum HipHop, que é a sensação do momento por aqui.

A comida era farta, mas cheio de coisas com peixe, que não como. O churrasquinho misto de frango e o folhado de ricota com espinafre estavam bem gostosos. E o que eles chamam de lasagna e é um bolo de carne??!!. É, eles não tiveram imigração Italiana como no Brasil… Bebi muito champagne e água com gás, que curiosamente só encontro aqui a Italiana San Pelegrino. O Phillip mais ou menos gostou da cerveja australiana que tinha na festa, a Crown.

As pessoas eram muito simpáticas, vários vieram se apresentar a mim. Até o diretor geral da empresa! Ele veio me agradecer por eu ter vindo pra Australia com o Phill! Existe realmente gente rica e humilde, isso me impressionou. O diretor direto do Phill tb é muito simpático e a esposa dele, além de uma coroa enxutérrima e linda, muito simpática! Fiquei com inveja dela.

Voltamos pra casa 2 da manhã ligeiramente bêbados, mas sempre tem alguém pior que a gente…eis que o taxi em que estavamos parou no sinal e uma mulher abriu a porta da frente do carro (lembrem que aqui o carona fica do lado esquerdo do motorista) e perguntou para onde estávamos indo e tentou entrar, mas o taxista a expulsou! Tudo bem que já aconteceu algo parecido comigo e um amigo no Rio, mas foi antes de eu pegar o taxi que uma menina desconhecida nos pediu carona e não seria problema pois passaríamos onde ela morava.

Tem gente estranha em qualquer lugar no Mundo…ou será que eu é que tenho muita coisa pra me acostumar?

Spam, bacon, sausage, spam…SPAMALOT

Bernarda Maia December 14th, 2007

spam

A primeira coisa que reparo de interessante chegando no centro de Melbourne: um bonde passando na rua e penso: uau, que legal, um bonde…olho para a lateral do bonde e me deparo com o seguinte letreiro “Monty Python’s SPAMALOT”

OMFG!!!!!!!!!Eu vou ver isso ao vivo???!!!! Inacreditável!!! Obrigado Elisabeth por manter isso aqui sobre sua coroa!!!

Nunca amarei tanto a Inglaterra quanto naquele momento!

Dois dias depois, entro numa loja de DVDs em liquidação, nada de interessante…saio da loja e um display de papelão meio torto com uma única caixa vazia do Flying Circus por AU$59,0!! Achei o presente de Natal do Phillip!!! Adoro presentes que posso aproveitar também.

Mas, pô, não vou esperar até o Natal pra dar não…dei no mesmo dia! Com um embrulho tosco, feito de encarte de loja, mas com um cartão bacana de vacas - quem nos conhece sabe que adoramos vaquinhas, mas falo disso outro dia, é uma longa história. Eu queria MESMO dar logo o presente. E ele amou, até o embrulho!!! Eu também…

Voltando ao SPAMALOT (Spam + Camelot), este é um musical, que está em cartaz num teatro aqui de Melbourne, que faz uma paródia com o filme “Monty Python and the Holy Grail”, de 1975, e com uma das esquetes mais famosas deles também, chamada SPAM, de 1970. A título de curiosidade, retirada diretamente do mundo maravilhoso da Wikipedia, a esquete SPAM é mencionada no filme The Holy Grail, numa cena em que os Cavaleiros da Távola Redonda cantam que eles “eat ham and jam and Spam a lot” ( comem muito presunto, geléia e SPAM - a tradução é ridícula, mas sempre vai ter um pra reclamar, aliás, se quiser saber a tradução do filme The Holy Grail, joga no google!)

Continuando…

Acho que a esta altura do post, todos já perceberam que a palavra SPAM, não está à tóa em nosso vocabulário da internet, espero… Mas a história do SPAM é mais antiga, e foi o que me levou a este post.

Spam é um alimento enlatado a base de porco, criado pela empresa americana Hormel Foods Corporation,que foi muito utilizado pelos soldados americanos na Segunda Guerra Mundial. Na Inglaterra, o Spam foi a única “carne” que não foi racionada durante a guerra e por isso os ingleses enjoaram tanto do enlatado que o Monty Python criou esta esquete. Imagina você comer todo dia, em todas as refeições, um patê de presunto com alta concentração de sódio?!

A esquete trata exatamente disso, onde em todos os pratos do cardápio de um restaurante tem Spam. Spam pra todos os lados, sem qualquer contexto…um prato cheio para o termo da internet.

Empregado em 1978 pela primeira vez com o intuito que conhecemos hoje, uma mensagem indesejada, seja por e-mail, IM, celular, etc, o Spam (eletrônico) é mais antigo que imaginávamos e surgiu de um dos melhores programas de comédia que a BBC produziu.

Chega de informações úteis (sim, elas são úteis). Eu cheguei a este post, pois hoje, no meu momento dona de casa-cozinheira, fui ao mercado comprar ingredientes para o jantar que farei amanhã aqui em casa e entre feijões, ervilhas, beterrabas e milhos enlarados eis que vejo o verdadeiro SPAM! Claro que comprei!!! Não provei porque ainda não tive coragem, nem sei se terei, mas o Phillip irá e, assim que ele o fizer, eu aviso o resultado.

A quem interessar possa, reparem que a fonte e a cor utilizada no nome do musical é a mesma do enlatado.

Se quiserem diversão garantida, assistam as esquetes que estão no youtube ou aos filmes e a série Flying Circus que ficou no ar de 1970 a 1974.

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