Archive for the 'Melbourne' Category

Pirulito e boate

Bernarda Maia January 2nd, 2008

Acabo de ler uma notícia no site da BBC Brasil que me chamou a atenção. Em uma cidade no centro da Grã-Bretanha, no condado de Buckinghamshire, as boates e bares têm distribuído na saída pirulitos e as autoridades locais atribuem a isso a redução da violência durante o mês de dezembro, quando os pirulitos passaram a ser distribuídos.

Os efeitos são claros, aumento de açúcar no sangue deixa a gente mais feliz e menos bêbado. O que me deixou intrigada com esta notícia está no fato de ter visto a mesma prática por aqui. Nas portas de alguns bares e boates vi potes com pirulitos para os fregueses. Será que por aqui a violência também diminuiu? Será que é o mesmo motivo? Vou tentar descobrir, mas deve ser sim. Adiciono ainda que aqui tem bastante loja de balas, numa delas, aqui perto, dá para ver na vitrine as moças fazendo a goma.

New Years Eve

Bernarda Maia January 1st, 2008

A quilômetros do Rio a experiência de quem passou pelo menos os últimos 10 anos assistindo aos fogos na praia de Copacabana foi bem impressionante. O Ano ainda não mudou no Brasil e aqui já estou na manhã do dia 1o. Isso é muito estranho, pensar que agora toda a minha família e amigos estão celebrando o fim de 2007 e aguardando ansiosos pela chegada de mais um ano.

Decidir o que fazer no Reveillon aqui em Melbourne não foi fácil, especialmente porque não conhecemos ninguém, mas isso nunca foi problema para nós, já que no ano passado passamos só nós dois por escolha nossa. Mas morávamos em Copacabana, pertinho da praia. Aqui é um pouco diferente.

Fomos convidados para uma festa na casa dos amigos de um amigo do Phill, e depois iriamos para uma festa fechada numa boate. Festa em casa de desconhecidos não é muito do nosso gosto e boate também não, muito menos de hip hop (estilo musical que é febre por aqui). Declinamos do convite.

Há uns dias, almoçando no restaurante grego aqui da esquina, encontramos um rapaz que trabalha com o Phill. Ele e a namorada sentaram-se, por coincidência, do nosso lado e eu já os conhecia, da festa da empresa do Phill. Conversando sobre Reveillon eles nos disseram que no Rio Yarra tem fogos todos os anos e que é bem animado, decidimos arriscar e ir ver os fogos.

Passei a tarde na cozinha fazendo feijão preto, como não tenho panela de pressão, demorou mais que o normal. Preparei o arroz, temperei o Poterhouse (aqui os cortes de carne são diferentes, então, não me pergunte que parte é essa do boi, pois não entendo nada, só sei que poterhouse é a carne que vem no prato chamado Melbourne do restaurante Outback e é muito macia) e quando deu umas 21:00 estavamos meio altos e sem a menor fome, o jantar de ano novo virou almoço do dia primeiro. Fomos tomar banho e nos arrumar para a virada do ano. As 23:10 nos levantamos pra sair, pego a champagne e os copos e o Phill olha pra mim e diz: Não podemos levar bebida alcoólica. Como não??? É proibido por lei e nessas épocas de feriado a fiscalização é mais forte e a multa é de AU$200. Decepção.

Sem a champagne, fomos em direção a Fed Squere que é no final da nossa rua e onde acontecem os fogos, mas tinhamos que andar uns 5 quarteirões pra chegar lá. No caminho vimos que as ruas estavam movimentadas e ao chegarmos na Fed Square, estava acontecendo um show num palco montado de uma banda que não conhecemos, mas que tinha um som bem legal. Estava cheio, mas nada impossível de se locomover. Resolvemos ir para as margens do Rio, tinha uma balsa enorme, de onde sairiam os fogos e eu estava ansiosa pra fazer minhas primeiras fotos de fogos com minha câmera nova. Mas estava bem cheio ali e acho que os australianos não sabem muito bem conviver em lugares lotados. Foi bem irritante ver um monte de gente tentando correr onde era impossível, ainda mais num calor desagradável. Ontem a noite fez 30 graus, durante o dia chegou a 42!

10, 9, 8 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1! Happy New Year! Eu e Phill, claro, nos desejamos Feliz Ano Novo, em português. Assim como os milhares de japoneses, chineses, viatnamitas, coreanos e indianos, que estava ao nosso redor, falaram em suas línguas. Foi bem interessante a mistura linguística deste momento. Mas o que predominou foi o inglês mesmo.

10 minutos de fogos belíssimos em vários pontos ao longo do Rio, cobriram o céu do centro de Melbourne e a minha conclusão foi que, aqueles fogos deviam ser dos criadores, dos Chineses! Tudo aqui é made in China. Nem tudo, ok, mas muita coisas vem de lá, porque não comprar algo finalmente original, então?

Os fogos terminaram e voltamos pra casa junto ao mar de gente que, segundo a polícia, foram 500.000 pessoas, bem melhor que as duas milhões de Copacabana. Chegamos em casa e estouramos a champagne, a rolha voou quarenta e um andares abaixo. Nos refrescamos, liguei para minha mãe pelo skype, a velha ficou toda emocionada, e meio ao estilo “Samara” do filme “O Chamado” a TV ligou, tudo bem, o controle estava entre o sofá e a parede, mas surrealmente aparece na tela os nomes dos atores do filme que começava: Fernanda Torres, Fernando Guimarães, Marisa Orth, Evandro Mesquita ao som de um cantor Afro-Americano cantando em inglês…alguns minutos olhando pra tv meio sem entender. PÔ, É “OS NORMAIS” legendado em inglês! (gargalhadas) Assistimos ao filme todo e fomos dormir às 3 da manhã com aquela sensação de mais um ano se foi, e fizemos o nosso trabalho direitinho.

Feliz Ano Novo!

Docklands, Arquitetura e Água em Melbourne

Bernarda Maia December 29th, 2007

água e construçao

Um local não muito diferente dos outros do mundo. Por aqui imperam as Men’s houses, é uma do lado da outra. Com cartazes atraentes como “Models & Show Girls”. A diferença por aqui é que as casas antigas, ao menos do lado de fora, parecem bem cuidadas.

Mas não param de subir prédios novos residenciais, especialmente na região das Docas (Docklands). A modernidade sobe junto. Confesso que prefiro a Melbourne estilo européia, de casas com arquitetura de estilo da Era Vitoriana e prédios baixos e sem muito colorido pois em pouco tempo esta cidade estará cheia de arranha-céus, como Miami. Espero que eu não esteja mais morando aqui pra ver isso.

Fiquei me perguntando se existe por aqui um IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como aí no Brasil. Pois ao passar pela antiga estação de trem, vi que havia uma placa anunciando a venda de escritórios. Ou seja, vão destruir aquela contrução???!!!! Espero que não, espero que a placa esteja ali apenas por ser um local etratégico para propaganda, já que fica em frente ao Telstra Dome, um estádio de football (que é bem diferente de soccer).

Procurei no site do governo da Australia e não é que achei! Existe o Heritage Council of Victoria, neste caso o conselho é específico para o Estado de Victoria, onde fica Melbourne. Mas existem outros para os outros estados e um Conselho Geral da Austrália, que abriga vários conselhos, como o da Herança Aborígene em todos os Estados. Fiquei mais feliz ainda em descobrir que existe um Departamento específico para a Sustentabilidade e Meio-ambiente aqui de Victoria, onde eles tomam conta das fontes naturais. Brilhante! Mas precisavam mudar a fonte de energia elétrica. Ao invés de usar carvão mineral, poderiam pensar em energia solar (que já vi por aqui, mas também é muito cara como no Brasil) e/ou eólica, já que combustíveis fósseis, como o carvão mineral, petróleo e gás natural, são poluidores do meio-ambiente.

Uma preocupação crescente por aqui é com a água. Existe um Departamento do governo australiano, o Department of the Environmente, Water, Heritage and the Arts, que trata disso. Li um post no blog de uma brasileira que mora aqui em Melbourne sobre as restrições de água enquanto pesquisava sobre meio-ambiente e fiquei bem impressionada com a precupação que eles tem por aqui. A Polly, autora do blog , mostrou bem como a situação é alarmante, vale a pena ir lá conferir.

Existe, por lei, uma grande restrição aos múltiplos usos da água. Desde a proibição de molhar a grama (que está sendo extinta por aqui, em volta das árvores são usadas pedrinhas), até a possibilidade de se construir uma piscina. Existem 5 estágios de restrição do uso na zona urbana que são aplicados de acordo com o nível da água nos reservatórios. Atualmente a cidade está no quarto, o estágio 3A, onde as regras são severas e as multas por desobediência também, podendo o indivíduo que desobedecer ter a sua água cortada e ser processado.

Assim, a pessoa ou estabelecimento comercial que molhar o jardim com mangueira, fora do período estipulado pela lei, usar mangueira para lavar carro, encher novas piscinas ou qualquer local novo que requeira uso de grande quantidade de água (as já existentes tem um limite de litros de acordo com o tamanho), está sujeito a penalidades. E existe um disque-denúncia só para isso.

É claro que, com tantas restrições, a alternativa de reciclar a água tem sido adotada pelas residências, inclusive a da chuva. Eu ainda não vi, mas segundo o blog da Polly, as casas possuem placas na frente dizendo que ali a água é reciclada. O que eu já vi, foram restaurantes fechados, principalmente em Chinatown, por uso indevido da água, assim como, nos parques e jardins que possuem fontes ou laguinhos, placas avisando que o motivo para estarem vazios é justamente em respeito às restrições.

Uma forma interessante de reciclagem, é a da água usada em máquinas de lavar roupa e louça. Esta água, que a princípio não poderia ser utilzada, pois contém produtos químicos, está sendo tratada nas próprias casas e edifícios. Existem hoje no mercado produtos de limpeza, que visam justamente a reutilização desta água, que é chamada de greywater. Mas é importante perceber que o governo aconselha o uso desta água apenas nos períodos de seca, pois existe risco de saúde para o uso a longo prazo e é claro que existem regras para utilizar esta água, ninguém vai molhar vegetais que serão consumidos crus, com a água do banho, por exemplo, mas lavar a mão, sim.

Com um problema tão grande, volto ao início deste post e me deparo com um embate antigo, entre o dinheiro e o meio-ambiente. Se por um lado existe uma cidade crescendo, com prédios modernos subindo, por outro temos um problema muito grave para a população que é a falta d’água. Será que o novo governo está preparado para enfrentar os grandes empresários? Esta cidade está crescendo sem infra-estrutura e é com isto que o governo deve se preocupar. Ao menos o novo primeiro ministro, Kevin Rudd já deu um passo importante ao assinar o Protocolo de Kyoto, sinal que há uma preocupação com o meio-ambiente por parte do novo governo. Mas esta foi apenas um passo importante, aguardemos o que está por vir.

Beeeee@Cinema

Bernarda Maia December 21st, 2007

Antes de mais nada, assistam ao filme Bee Movie (A História de uma Abelha) que tem como produtor o humorista Jerry Seinfeld. Adoro ele, e o seu estilo de piadas está bastante presente no filme. Lembrem-se que é um desenho, e como tal, sempre tem uns exageros hilários.

Este foi o motivo de nossa primeira ida a um cinema aqui. Rir um pouco após um dia chuvoso e chato. Foi bem interessante assistir a um filme onde eu não tinha a opção de selecionar a legenda (em Inglês, sempre) ou poder voltar para entender a fala. Mas fiquei bem feliz pois entendi praticamente tudo, até me dar conta, quase no final do filme, que o Seinfeld é americano, e é com este Inglês que meus ouvidos estão acostumados.

Lembro-me até hoje, quando soubemos que de fato viriamos pra cá, que baixei uns podcasts em inglês australiano. Me lembro claramente de ter saido algumas lágrimas dos meus olhos. NADA, nem uma frase completa eu entendia! Alguns that aqui, uns what ali, os pronomes, raros verbos. Entrei em pânico. Ainda estou na verdade, dá muito angústia não entender algumas coisas. Mas sinto que já estou bem melhor, especialmente depois de ter percebido que os australianos adoram abrir bem a boca pra falar e colocar A no lugar de O. Mais ou menos assim, ao invés de falarem both, falam bauth.
Almost, que falamos com o A mais fechado eles falam com o A beeem aberto. AAAALmost. Isso tem facilitado bastante a minha vida, ou melhor, meus ouvidos.

Outra peculiaridade interessante do australianês é que todos se chamam de Mate. Hi, mate. By, mate. E eles tem umas expressões muito engraçadas. Se você fala algo interessante ou legal, eles dizem com um certo prolongamento: cooool bananas! Se você pede desculpa, ou agradece algo, eles dizes com um sorriso e balançando a cabeça dizendo não: no worries…

Aqui vocês encontram várias expressões australianas, para quem tiver curisidade.

Outro dia fui num encontro (Meetup) do grupo Melbourne de um pessoal do flickr (www.flickr.com). Não conhecia ninguém, entrei no grupo uma semana antes do encontro e descobri que teria, 15 minutos antes do horário marcado. O encontro foi num bar chamado Workshop, aqui perto. Eu jamais entraria neste bar normalmente, a entrada é pelo portão de uma garagem de uma casa, todo preto com umas pixações, você tem que subir uma escada bem íngrime para chegar num bar fantástico! Além de super bonito, ele tem uma área externa aberta, com uns bancos largos, e umas mesinhas de madeira, tipo barril, mas leves. O lugar é super agradável, cheio de plantas! Neste lugar descobri mais uma expressão. Fui ao bar pegar uma água com gás, e um dos participantes do grupo me recomendou beber um vinho shiraz. Eu aceitei a recomendação e ele disse: I’ll shout you. (eu pago pra você) Achei bem simpático! Outra coisa que achei interessante do lugar é que todo sábado, às 18hs, eles servem um churrasco (basicamente linguiças, pão e salada) de graça!!! Ah! O vinho era muito gostoso, tomei duas taças! Melhor do que o outro shiraz que tomei e comentei num outro post.

Fazendo um retorno ao assunto inicial, e à título de curiosidade, a entrada do cinema é A$15.50 e o Cinema Hoyts, que fica no Shopping Melbourne Central, é igualzinho a um Cinemark. Acho que a diferença estão nas cadeiras, que são bem grandes! Mas acho que a explicação para isso, está no fato de que as pessoas aqui são obesas. Para se ter uma idéia, um dos anúncios antes do filme era do Vigilantes do Peso. Uma anúncio enorme, falando principalmente que de uma geração pra cá, os australianos engordaram muito e que o governo australiano tem gasto Bilhões por causa disso!

E é verdade, eu que não sou gorda, mas sempre tive dificuldade de encontrar roupa pra mim no Brasil, pois tenho muito quadril, aqui acho fácil! O mais bizarro foi que logo após um anúncio enorme desses, entra o do McDonald’s!!!! Isso devia ser proíbido, como o de cigarro é (aqui também é)! E eu estou falando muito sério. Devia ser proíbido anúncio de qualquer coisa que mencionasse comida! Gordura, sal e açúcar, são tão perigosos para saúde quanto cigarro!

Mas enfim, adorei esta experiência de estar num cinema comendo uma pipoca regular que é a grande aí do Brasil, numa quinta-feira, com o meu marido amado! Até porquê, não conseguimos comprar um Wii, vai ficar para o ano que vem, pois está esgotado em tudo quanto é lugar, então precisávamos fazer algo legal para encobrir a frustração.

Festa de fim-de-ano

Bernarda Maia December 19th, 2007

party

Sábado foi a festa de fim-de-ano da empresa que o Phillip trabalha. Estava super curiosa para saber como seria, pois o tema da festa era Glamour.

Arrisquei e coloquei um longo vinho com uma pashmina vinho também, linda!

Cheguei na festa e todas as mulheres que conheci naquele mesmo dia num almoço, estavam de vestido curto. Tudo bem, pois eu não era a única de longo. O problema foi que todos os vestidos curtos eram REALMENTE curtos!!!

Depois da festa passei a reparar nos vestidos de ir pra night daqui nas vitrines, são muito brilhosos e curtííííssimos! Cheguei a conclusão que aquele ditado: “biscate não sente frio”, não funciona aqui, já que vestido curto é moda.

Mas fiquei também sem entender porque o tema da festa era glamour, a não ser que todos aqueles vestidos e ternos fossem de costureiros famosos, não fazia muito sentido.

Uma coisa legal foi que entravamos na festa num tapete vermelho, eramos fotografados por uma fotógrafa hilária e depois eramos entrevistados por uma Ellen DeGeneres gorda, muito figura!!

Ela me perguntou quem era o costureiro do meu vestido e eu disse Carlos Miele, e óbvio que ela não sabia quem era, por isso eu disse: somos do Brasil. Para ela não ficar sem graça…Então ela disse: oooohhhh um vestido de um costureiro brasileiro, esta festa é mesmo muito internacional! E continuou sua “entrevista” dizendo que o Phillip era muito HOT e parecia o Will Smith (?????????????) e que o cavanhaque do Phill era muito sexy. Ok, eu concordo que o Phill seja hot e que fica sexy de cavanhaque, mas parecer com o Will Smith?????? Não, né?

Vamos às músicas. Muitas desconhecidas aos meus ouvidos. Back Street Boys, Britney, Pink e afins pareciam reinar nas pickups do DJ e nas vozes das mulheres da festa. Os anos 70 me fizeram dançar com o Phillip e suar um pouquinho, ao ponto de termos chamado a atenção por estarmos dançando juntos, acho que ficaram curiosos com o jeito latino de dançar, mas infelizmente foram no máximo 20 minutos…e ao final, confesso que fiquei bem feliz em não ter ouvido nenhum HipHop, que é a sensação do momento por aqui.

A comida era farta, mas cheio de coisas com peixe, que não como. O churrasquinho misto de frango e o folhado de ricota com espinafre estavam bem gostosos. E o que eles chamam de lasagna e é um bolo de carne??!!. É, eles não tiveram imigração Italiana como no Brasil… Bebi muito champagne e água com gás, que curiosamente só encontro aqui a Italiana San Pelegrino. O Phillip mais ou menos gostou da cerveja australiana que tinha na festa, a Crown.

As pessoas eram muito simpáticas, vários vieram se apresentar a mim. Até o diretor geral da empresa! Ele veio me agradecer por eu ter vindo pra Australia com o Phill! Existe realmente gente rica e humilde, isso me impressionou. O diretor direto do Phill tb é muito simpático e a esposa dele, além de uma coroa enxutérrima e linda, muito simpática! Fiquei com inveja dela.

Voltamos pra casa 2 da manhã ligeiramente bêbados, mas sempre tem alguém pior que a gente…eis que o taxi em que estavamos parou no sinal e uma mulher abriu a porta da frente do carro (lembrem que aqui o carona fica do lado esquerdo do motorista) e perguntou para onde estávamos indo e tentou entrar, mas o taxista a expulsou! Tudo bem que já aconteceu algo parecido comigo e um amigo no Rio, mas foi antes de eu pegar o taxi que uma menina desconhecida nos pediu carona e não seria problema pois passaríamos onde ela morava.

Tem gente estranha em qualquer lugar no Mundo…ou será que eu é que tenho muita coisa pra me acostumar?

Spam, bacon, sausage, spam…SPAMALOT

Bernarda Maia December 14th, 2007

spam

A primeira coisa que reparo de interessante chegando no centro de Melbourne: um bonde passando na rua e penso: uau, que legal, um bonde…olho para a lateral do bonde e me deparo com o seguinte letreiro “Monty Python’s SPAMALOT”

OMFG!!!!!!!!!Eu vou ver isso ao vivo???!!!! Inacreditável!!! Obrigado Elisabeth por manter isso aqui sobre sua coroa!!!

Nunca amarei tanto a Inglaterra quanto naquele momento!

Dois dias depois, entro numa loja de DVDs em liquidação, nada de interessante…saio da loja e um display de papelão meio torto com uma única caixa vazia do Flying Circus por AU$59,0!! Achei o presente de Natal do Phillip!!! Adoro presentes que posso aproveitar também.

Mas, pô, não vou esperar até o Natal pra dar não…dei no mesmo dia! Com um embrulho tosco, feito de encarte de loja, mas com um cartão bacana de vacas - quem nos conhece sabe que adoramos vaquinhas, mas falo disso outro dia, é uma longa história. Eu queria MESMO dar logo o presente. E ele amou, até o embrulho!!! Eu também…

Voltando ao SPAMALOT (Spam + Camelot), este é um musical, que está em cartaz num teatro aqui de Melbourne, que faz uma paródia com o filme “Monty Python and the Holy Grail”, de 1975, e com uma das esquetes mais famosas deles também, chamada SPAM, de 1970. A título de curiosidade, retirada diretamente do mundo maravilhoso da Wikipedia, a esquete SPAM é mencionada no filme The Holy Grail, numa cena em que os Cavaleiros da Távola Redonda cantam que eles “eat ham and jam and Spam a lot” ( comem muito presunto, geléia e SPAM - a tradução é ridícula, mas sempre vai ter um pra reclamar, aliás, se quiser saber a tradução do filme The Holy Grail, joga no google!)

Continuando…

Acho que a esta altura do post, todos já perceberam que a palavra SPAM, não está à tóa em nosso vocabulário da internet, espero… Mas a história do SPAM é mais antiga, e foi o que me levou a este post.

Spam é um alimento enlatado a base de porco, criado pela empresa americana Hormel Foods Corporation,que foi muito utilizado pelos soldados americanos na Segunda Guerra Mundial. Na Inglaterra, o Spam foi a única “carne” que não foi racionada durante a guerra e por isso os ingleses enjoaram tanto do enlatado que o Monty Python criou esta esquete. Imagina você comer todo dia, em todas as refeições, um patê de presunto com alta concentração de sódio?!

A esquete trata exatamente disso, onde em todos os pratos do cardápio de um restaurante tem Spam. Spam pra todos os lados, sem qualquer contexto…um prato cheio para o termo da internet.

Empregado em 1978 pela primeira vez com o intuito que conhecemos hoje, uma mensagem indesejada, seja por e-mail, IM, celular, etc, o Spam (eletrônico) é mais antigo que imaginávamos e surgiu de um dos melhores programas de comédia que a BBC produziu.

Chega de informações úteis (sim, elas são úteis). Eu cheguei a este post, pois hoje, no meu momento dona de casa-cozinheira, fui ao mercado comprar ingredientes para o jantar que farei amanhã aqui em casa e entre feijões, ervilhas, beterrabas e milhos enlarados eis que vejo o verdadeiro SPAM! Claro que comprei!!! Não provei porque ainda não tive coragem, nem sei se terei, mas o Phillip irá e, assim que ele o fizer, eu aviso o resultado.

A quem interessar possa, reparem que a fonte e a cor utilizada no nome do musical é a mesma do enlatado.

Se quiserem diversão garantida, assistam as esquetes que estão no youtube ou aos filmes e a série Flying Circus que ficou no ar de 1970 a 1974.

Curisidades Rápidas…e se possíveis, engraçadas!

Bernarda Maia December 12th, 2007

Phill Criança

Sexta passada, eu e Phillip saímos pra jantar e beber numa ruazinha bacana, cheia de barzinhos, chamada Hardware Lane.

Fomos num bar chamado UnWine. Eu bebi um vinho Pinot Noir excelente e ele, como sempre, uma cerveja (acho que ele estava mais certo do que eu, pelo nome do bar…). Experimentou a VB (Victoria Bitter) e gostou muito, recomendação de um amigo brasileiro que mora em Sydney.

Decidimos voltar após jantarmos e continuar bebendo em casa. Pagar 6 dólares numa cerva e 10 numa taça de vinho se torna caro se você está a fim de beber um pouco mais.

Passamos na Liquour pra comprarmos as bebidas e, enquanto eu ia no mercado ao lado para comprar uns queijos (não vende bebida alcóolica em mercado, só em loja epecializada ou nas lojas de conveniência), o Phillip ficou na fila para pagar.

Ao sair do mercado vejo o Phillip abraçado na sacola com uma cara de criança culpada…

Tá tudo bem?

(Silêncio)

Subimos a escada rolante e ele manda: Você jura que não vai me sacanear?

Não, claro que não juro! Fala logo!

É que eu estava na fila e tinha uma placa enorme dizendo que menores de idade estavam sujeitos a penalidade.

Tá, mas você não é menor…

Sou.

Hein?

Tem que ter mais de 25

Ahhhhhh…pirralhoooooo!!!!

E continuou: Fiquei morrendo de medo de pedirem minha identidade e ter que te chamar pra você poder comprar, mas então pensei, eu não tenho cara de garoto, já estou até careca (ELE ADIMITIU!!!) não vão me pedir…

(ter que me chamar pra comprar foi o melhor! tsc tsc tsc)

Horas gargalhando e zoando da cara do “di menor”, ele me lembrou uma coisa muito triste…só terei até fevereiro do ano que vem para ameaçar denunciá-lo toda vez que comprar bebida e, claro, cotinuar chamando de bebê, pirralho ou coisas parecidas…

Damn it!!!

Legenda da Foto: Phillip perdido com um Lego na mão. Não é uma criança mesmo?

Primeiras opiniões

Bernarda Maia December 11th, 2007

Map

Chegar em qualquer cidade nova requer um mapa. O nosso primeiro mapa nos foi dado pelo motorista que foi nos pegar no aeroporto (foto acima). Sim, nós fomos recepcionados por um motorista chamado Ozzy, o que desde o Rio de Janeiro, nos fez ter a certeza que seríamos bem recepcionados. Não deu outra, o Ozzy, além de gente boa pra caramba, tinha uma BMW. Pô, nunca tinha andado numa BMW na vida! E já cheguei aqui tirando onda…(risos)

O mapa era bem simples, que descobrimos mais tarde que era o que era dado nos pontos de informação turística da cidade, já que estamos no coração de Melbourne, o que não falta é ponto turístico. Quando olhei o mapa e vi o nosso endereço fiquei bem animada, pois estava no mapa! A segunda coisa que me animou, foi saber que o mapa do centro parece um tabuleiro de xadrez retangular, ou seja, não teríamos que nos perder nas quebradas (como dizem os paulistas).

O melhor são as associações que fazemos para não esquecer das ruas: King William, Queen Elisabeth. Ok, decorei quatro ruas em sequência.

O probema é saber quem são ou o que são as outras ruas. Por exemplo, moramos na Jane Bell Lane, ela não é uma rua, não tem trânsito de carro nem calçada. Mas a nossa Via (lane) começa na Russel St. E aí estão os problemas, Jane Bell é bem sonoro, mas quem diabos foi Russell??? Lógico que eu pensei no Russell Crowe, que mora aqui na Austrália. Ufa! Resolvi um problema, me lembro a rua que moro! Chego na Russell St e está tudo bem. Mas entre a Elisabeth St e a Russel St, tem a rua que mais demorei a aprender a falar e ainda me enrolo que é a Swanston St. Who the hell is Swanston??? Não consigo pensar em nada pra me lembrar desta rua, e a maldita não tem nenhum prediozinho famoso, nada pra me fazer lembrar dela, nenhuma loja legal, NADA! E ainda tem mais duas depois da minha e a primeira lááá do outro lado, antes da King St que é a Spencer St. Que não sei por que mas o nome me é familiar.

Bom, voltamos pras duas ruas seguintes à Russel St, que também foram fáceis de decorar. A Exhibition St. que chamo de rua exibida e por isso me lembra de várias pessoas, eu sei que exhibition não é exibida, mas lembra. E como tenho muitas amigas que se encaixam neste adjetivo, é fácil de lembrar…(riso)

Depois da Exhibition St. vem a Spring St. que é onde tem o Parlamento, o que me fez pensar: Será que o parlamento só funciona aqui de vez em quando como no Brasil?

Estas são as ruas principais paralelas a minha. As perpendiculares ainda não decorei a ordem e o nome só de algumas, como a Burke St. que é a rua da perdição. Primeiro que é uma rua que não passa carro, só o bonde. E SÓ tem lojas pra todos os lados!!! Loja da Adidas, HMV, David Jones e Myer (que é como se fossem a Sears, lembram? Big loja de departamento onde funciona o Botafogo Praia Shopping) que ocupam tres prédios em ruas diferentes!!! Na primeira vez que entrei na Myer, eu me perdi e fiquei super nervosa, até descobrir que tem PLACAS de indicação pela loja inteira. Dizendo: Saída para a Burke St., Saída para a Elisabeth St., enfim, tem saídas multiplas e com 4 andares (pelo menos) cada uma em cada prédio!!! SÃO MUUUUUIIIITOOOO Grandes!!! E uma do lado da outra…

As Ruas paralelas são interessantes, pois elas tem um clone menorzinha, ou seja a Burke St, por exemplo, tem a Little Burke St. Assim como a Collins St. e a Lonsdale St. Aliás eu nunca consigo falar Lonsdale, SEMPRE falo Londsdale. E pra terminar o tabuleiro tem a LaTrobe St., que sempre me faz lembrar dos Globetrotters (sim, esta é uma associação muito idiota, mas funciona).

Do outro lado a Flinders St. que é uma rua beeem agitada também, mas é mais cultural. Na Flinders tem o aquário de Melbourne, a Federal Square, o Museu da Imigração e a Estação de trem, que é linda e funcional. Além disso a Flinders é acompanhada por uma parte do Yarra River ( Rio Yarra), que também é muito bonito e praticamente corta a cidade. Vi crianças tendo aula de remo nele, muito bacana.

Eu sempre fui muito boa com mapas, este mapa é fácil, é um retângulo, o problema é decorar os nomes. Mas este é apenas o começo, porque comprei o mapa dos subúrbios daqui e descobri que é um emaranhado de ruas e que a cidade é enooorme. Ou seja, se me perdia em São Paulo, aguardem pelas minhas próximas aventuras nos subúrbios de Melboune. Se bem que, acho que já sei o que vou pedir de Natal…Um GPS!

Uma trajetória projetada

Bernarda Maia December 9th, 2007

hope

É dezembro de 2007, há duas semanas e dois dias eu e Phillip chegamos em Melbourne, Austrália.

Estar aqui não foi fácil, não apenas pelo lado emocional, que dedicarei mais tempo pra falar numa outra oportunidade, mas pelo lado prático. Estar aqui é um projeto que foi decidido ser feito em janeiro deste ano, começou a ser elaborado em março, obteve sucesso no final de julho e desde então foram os 4 meses mais longos e ansiosos que passamos, entre casamento, passaporte, correios, papéis de trabalho, demissões, exames médicos, festas de casamento e despedidas, mais papéis, vistos, noites sem dormir, passagem e enfim os aviões, no plural, pois pra ir para o outro lado do mundo, só com escalas.

Muitos projetos futuros foram adiantados e outros cancelados. O nossa casamento teve que acontecer o mais rápido possível e por isso não teve grandes festas e nem a cerimônia na Igreja que o Phillip tanto queria (disso eu nem reclamo, pois me safei bem de um vestido cafona. Casar de branco, eu??? Já casei! O que até eu duvidava que fosse acontecer!! De branco seria um pouco demais!).

Toda esta correria, pois para tirar o meu visto eu precisava ser casada com o Phillip, ok, nem precisava tanto, mas todos os envolvidos no nosso processo recomendaram. E além disso, eu precisava tirar o meu passaporte com o meu nome de casada, já que isto também fazia parte do pacote de recomendações. Tudo bem que foi um casamento maravilhoso, mas não precisava ser tão corrido.

Nossa viagem de lua-de-mel teve que ser cancelada, ao menos temporariamente. Iríamos para o Chile em janeiro, mas acho que de acordo com a atual circunstância é melhor ser num lugar mais pertinho, pois aturar outro vôo de 13 horas, não tão cedo. Mas tudo bem, espero que ao menos, quando for, seja num lugar paradisíaco, afinal a Tailândia é bem mais perto!

Eu tive que largar a faculdade de jornalismo, que finalmente eu tinha começado a fazer após anos de incertezas, afinal você fazer uma faculdade durante anos, trabalhar com isso e no final ter que admitir que preferia ter feito outra coisa, é frustrante. E mais frustrante ainda ter que largar, mas tudo bem, nada acontece sem um propósito, eu acredito muito nisso, e neste caso, se não tivesse feito estes meses de jornalismo, eu não teria encontrado o assunto que muito me motiva a estudar: sociologia da comunicação (mas isto também é outro assunto).

Larguei também a hidroginástica, para economizar. Mas me dei bem, pois o prédio que moramos aqui tem uma piscina enorme e academia! (droga, sabia que eu iria me prescipitar em contar as coisas, sempre faço isso…humpf!)

E, por fim, o que foi o pior de tudo pra mim durante este processo, foi ficar desde março sem a menor possibilidade de projetar nada, até pra comprar o vestido da cerimônia civil do nosso casamento eu fiquei me sentindo culpada de gastar um pouquinho a mais! Comprar comida foi um saco, eu desisti, pois tudo que comprasse iria sobrar, acabou que comemos direto na rua ou na casa das nossas mães.

Na verdade este projeto ainda não terminou, ainda tem o lado b. Que acontecerá aqui, do outro lado do mundo.

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