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Filme brasileiro no Festival Internacional de Cinema de Melbourne

Bernarda Maia July 31st, 2008

Sim, tiveram alguns filmes brasileiros no festival, dentre eles Cleópatra de Júlio Bressane

Recebi em uma das newslatters da ABRISA, a divulgação deste festival e de que iria passar Cleópatra, um filme brasileiro de 2007, então resolvi arriscar e ainda convidei dois amigos. Se arrependimento matasse…

Não sou crítica de cinema, nem especialista em Bressane, embora já tenha assistido a alguns de seus filmes, especialmente na época de faculdade de História, quando a historiografia e os entendimentos em assuntos diversos pulsavam nas minhas veias, confesso que cansei disso, e cansei de tentar entender muita coisa, mas algumas ainda me intrigam e me deixam de boca aberta, tamanha bobagem! 

No caso de Cleópatra de Bressane, valem ressaltar algumas coisas. Os diálogos poéticos se perderam completamente na tradução das legendas para o inglês, não que o inglês não possua o lirismo e beleza do português como costumam falar, pois a obra de Shakespeare, como um único exemplo já acaba com esta teoria besta, mas simplesmente o filme se perdeu nas diferenças linguísticas. Poesia traduzida não faz sentido, e jamais deveria ser traduzida para língua alguma, esta é minha opinião. Discordem se quiserem, mas pra mim nunca, jamais fará sentido ler Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Leminski, em inglês! Menos ainda as poesias de Shakespeare ou T. S. Eliot, traduzidas para o português ou qualquer outra língua. Podem achar que sou radical, mas neste sentido sou mesmo. Cada língua tem sua sonoridade, e poesia é música, é nexo linguístico. 

Fazendo uma biografia muito rápida, a Rainha Egípcia foi flagrada por Bressane em seus piores momentos, se tornou drogada, louca e nifomaníaca e feia, não que ela não fosse nada disso, pois a história conta que ela era liberal quanto ao sexo, sabia magias, ou seja, manipulava ervas, drogas e venenos, assim como, por ser uma mulher vaidosa, desenvolveu cosméticos, que a deixavam menos feia. Mas Claópatra era poliglota, dona de uma invejada biblioteca, que é até ressaltado no filme,  teve um educação excelente para quem seria filha bastarda de Ptolomeu VII e dominou o Império Romano juntamente com, primeiro seu pai, depois irmão e marido e dominou o Egito sozinha, até sua morte pela picada de uma serpente, ao que diz a história, ela se deixou picar, caracterizando um suicídio, mas é mostrada uma morte diferente, ao que parece, por envenamento. 

Claro que filme é arte e não é porque está falando de um personagem histórico que deve ser historicamente correto, entendo isto, mas minha crítica está na exploração da sexualidade dos personagens. Parece que só existia isto. Este filme fez um retorno à época da pornochanchada do cinema brasileiro, da qual Bressane fez parte. A exposição do sexo sem necessidade, exagerada e constante, o que me deixou bem constrangida, pelos amigos que convidei, uma amiga brasileira e um amigo australiano que fala português, e pelo esvaziamento da sala do teatro Forum, que é lindíssimo e estava lotado no início da sessão. Fiquei me perguntando por que mandaram este lixo pra fora do Brasil? Porque é do Bressane? É a pior explicação que se possa dar! 

E alguém me explique o sotaque horrível da atriz Alessandra Negrini?! Não consegui entender porque somente ela tinha um sotaque sei lá de onde e que fez com que algumas palavras ficassem incompreendidas em português! 

O Filme não teria sido tão infeliz também se tivesse uma narrativa menos enfadonha, mas ao que me lembro dos filmes deste diretor, assisti “São Jerônimo” e “Os Sermões - A história de Antônio Vieira”, a lentidão e poesia fazem parte de suas características cinematográficas. Acho que no fim, eu é que não deveria ter ido assistir e insistido em Bressane que é de fato um chato.  

Como comentou meu amigo australiano, “Foi terrível, mas espectacular visualmente. Eu quero uma sala de estar com uma piscininha toda na forma de um olho!” (havia uma banheira no formato do olho de Hórus no filme). As cores e câmeras de Bressane continuam belas. Embora o figurino tenha deixado a desejar, assim como alguns cenários, algumas cenas foram lindíssimas, o que atribuo à beleza natural do Rio de Janeiro. 

Ao final da sessão os organizadores do Festival nos deram um papel para votarmos no filme para o Festival. Eu não tive coragem de votar, achei melhor não dizer nada pois eu certamente iria avaliá-lo muito mal, então preferi não dizer nada a detonar com um filme do cinema Brasileiro, que sei que ainda tem dificuldades para sobrevier, mas deveria, sei que deveria, para tentar evitar futuros vexames internacionais. 

Ai que saudade da Elisabeth Taylor…

Para mais uma crítica sobre este filme vejam no blog A Torre de Marfim. Já ri muito com a crítica deles a este filme e ao diretor, excelente! 

 

Beeeee@Cinema

Bernarda Maia December 21st, 2007

Antes de mais nada, assistam ao filme Bee Movie (A História de uma Abelha) que tem como produtor o humorista Jerry Seinfeld. Adoro ele, e o seu estilo de piadas está bastante presente no filme. Lembrem-se que é um desenho, e como tal, sempre tem uns exageros hilários.

Este foi o motivo de nossa primeira ida a um cinema aqui. Rir um pouco após um dia chuvoso e chato. Foi bem interessante assistir a um filme onde eu não tinha a opção de selecionar a legenda (em Inglês, sempre) ou poder voltar para entender a fala. Mas fiquei bem feliz pois entendi praticamente tudo, até me dar conta, quase no final do filme, que o Seinfeld é americano, e é com este Inglês que meus ouvidos estão acostumados.

Lembro-me até hoje, quando soubemos que de fato viriamos pra cá, que baixei uns podcasts em inglês australiano. Me lembro claramente de ter saido algumas lágrimas dos meus olhos. NADA, nem uma frase completa eu entendia! Alguns that aqui, uns what ali, os pronomes, raros verbos. Entrei em pânico. Ainda estou na verdade, dá muito angústia não entender algumas coisas. Mas sinto que já estou bem melhor, especialmente depois de ter percebido que os australianos adoram abrir bem a boca pra falar e colocar A no lugar de O. Mais ou menos assim, ao invés de falarem both, falam bauth.
Almost, que falamos com o A mais fechado eles falam com o A beeem aberto. AAAALmost. Isso tem facilitado bastante a minha vida, ou melhor, meus ouvidos.

Outra peculiaridade interessante do australianês é que todos se chamam de Mate. Hi, mate. By, mate. E eles tem umas expressões muito engraçadas. Se você fala algo interessante ou legal, eles dizem com um certo prolongamento: cooool bananas! Se você pede desculpa, ou agradece algo, eles dizes com um sorriso e balançando a cabeça dizendo não: no worries…

Aqui vocês encontram várias expressões australianas, para quem tiver curisidade.

Outro dia fui num encontro (Meetup) do grupo Melbourne de um pessoal do flickr (www.flickr.com). Não conhecia ninguém, entrei no grupo uma semana antes do encontro e descobri que teria, 15 minutos antes do horário marcado. O encontro foi num bar chamado Workshop, aqui perto. Eu jamais entraria neste bar normalmente, a entrada é pelo portão de uma garagem de uma casa, todo preto com umas pixações, você tem que subir uma escada bem íngrime para chegar num bar fantástico! Além de super bonito, ele tem uma área externa aberta, com uns bancos largos, e umas mesinhas de madeira, tipo barril, mas leves. O lugar é super agradável, cheio de plantas! Neste lugar descobri mais uma expressão. Fui ao bar pegar uma água com gás, e um dos participantes do grupo me recomendou beber um vinho shiraz. Eu aceitei a recomendação e ele disse: I’ll shout you. (eu pago pra você) Achei bem simpático! Outra coisa que achei interessante do lugar é que todo sábado, às 18hs, eles servem um churrasco (basicamente linguiças, pão e salada) de graça!!! Ah! O vinho era muito gostoso, tomei duas taças! Melhor do que o outro shiraz que tomei e comentei num outro post.

Fazendo um retorno ao assunto inicial, e à título de curiosidade, a entrada do cinema é A$15.50 e o Cinema Hoyts, que fica no Shopping Melbourne Central, é igualzinho a um Cinemark. Acho que a diferença estão nas cadeiras, que são bem grandes! Mas acho que a explicação para isso, está no fato de que as pessoas aqui são obesas. Para se ter uma idéia, um dos anúncios antes do filme era do Vigilantes do Peso. Uma anúncio enorme, falando principalmente que de uma geração pra cá, os australianos engordaram muito e que o governo australiano tem gasto Bilhões por causa disso!

E é verdade, eu que não sou gorda, mas sempre tive dificuldade de encontrar roupa pra mim no Brasil, pois tenho muito quadril, aqui acho fácil! O mais bizarro foi que logo após um anúncio enorme desses, entra o do McDonald’s!!!! Isso devia ser proíbido, como o de cigarro é (aqui também é)! E eu estou falando muito sério. Devia ser proíbido anúncio de qualquer coisa que mencionasse comida! Gordura, sal e açúcar, são tão perigosos para saúde quanto cigarro!

Mas enfim, adorei esta experiência de estar num cinema comendo uma pipoca regular que é a grande aí do Brasil, numa quinta-feira, com o meu marido amado! Até porquê, não conseguimos comprar um Wii, vai ficar para o ano que vem, pois está esgotado em tudo quanto é lugar, então precisávamos fazer algo legal para encobrir a frustração.