Bernarda Maia March 5th, 2008

Foto tirada pelo Phillip com seu celular Nokia N95
Eu já falei algumas vezes aqui do desafio de estar num país novo, das coisas diferentes com as quais estou tendo que me acostumar. É claro que com o tempo eu irei me acostumar e certamente sentirei até falta se um dia voltar. Mas o problema são as coisas que sinto falta do Brasil. Estas sim são bem difíceis de lidar.
Acho que o que mais sinto falta, sem sombra de dúvidas, é do Mate Leão Diet. Comecei até a agradecer por ele ter sido vendido para a Coca-Cola, o que na época da venda me deixou bem decepcionada, e estou torcendo para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) liberar logo a venda, pois assim existe alguma possibilidade de ter aqui também. Às vezes sinto o sabor surgir na minha memória, e me dá uma saudade enorme. Nada como um Mate geladinho! A sengunda bebida que sinto falta é do guaraná Antártica, mas este ainda consigo encontrar aqui, e como não bebo muito refrigerante, nem é tão problemático assim.
A comida aqui é bem diferente também, acho que não existe uma comida tipicamente australiana, e se você olhar ao redor, verá comida do mundo todo, asiática principalmente, e todos adoram. Eu posso dizer que em toda a praça de alimentação tem vários fast food chineses e japoneses, pelo menos um indiano e um KFC ou alguma coisa de frango, como o Nando’s - que é uma cadeia de fast food daqui. O problema é que todas estas comidas são muito gordurosas, eu até gosto de comida indiana, mas geralmente só como a carne e deixo o molho em que a carne vem, pra lá, pois é super oleoso. Acho que a comida que mais gosto é a Grega. Adoro Mussaka, um bolo de carne moída com beringela. É uma delícia, bem temperada e sem farinha nenhuma. E o melhor é que tem um restaurante Grego 24 horas aqui na esquina, chamado Stalactites, que é uma delícia.
Ainda falando sobre comida, uma coisa que nunca me fez falta mas que foi muito bom achar por aqui, foi feijão preto, eu nem como muito, mas de vez em quando é tão bom sentir o gostinho…e graças a Polly, uma querida amiga brasileira que conheci aqui, agora temos farofa! Ela me trouxe farofa e Café Pilão que conseguiu na Casa Ibérica, local que preciso visitar! Ainda não fui. Foi tão bom tomar o nosso café…
Outras coisas que queria que tivessem aqui: achocolatado Diet Gold, que sempre tomava de café da manhã, iogurt sem açúcar, geléia sem açúcar, peito de peru Sadia, Restaurante à Quilo (ai que saudade!!!), saquinho de sal no cinema (a pipoca é completamente sem sal), polenguinho, queijo minas, requeijão, sucos naturais como os do Bibi Sucos, a salada que eu montava no Bibi Sucos, o café da manhã do Cafeína (especialmente lendo jornal com o marido nos fins-de-semana), uma boa manicure e pedicure, chiclete Trident de Canela, mamão papaya, bala Halls de cereja diet, a linha Diet de sorvetes do Itália, revistinhas da Turma da Mônica (eu era assinante), água de coco na praia…tenho certeza que me lembrarei de mais coisas que me escaparam agora.
Só uma observação: os produtos que dizem ser diets aqui, na verdade não são, a grande maioria tem açúcar.
Também sinto falta dos dias agradáveis de verão do Rio. Aqui o clima é tão inconstante!!! Posso acordar com um dia chuvoso e frio e terminar com um belíssimo pôr-do-sol, sem exagero nenhum.
Das coisas que não sinto falta:
Outro dia estava passando embaixo de uma ponte e senti aquele cheiro de poluição e me dei conta que não sentia este cheiro há muito tempo! O Rio nem é uma cidade tão poluída como São Paulo, por exemplo, mas sentia bastante este cheiro que aqui não sinto, confesso que queria saber sobre os índices de poluição de Melboune, ainda vou dar uma checada e ver o que acho.
Outra coisa que definitivamente não sinto falta, e muitos amigos me falaram quando vim pra cá que eu ia esquecer que existe, são dos mendigos na rua. Aqui tem, claro. Mas nada comparado às ruas do Rio, menos ainda por não ver criança, o que era deprimente pra mim, outro dia cheguei a sonhar com um menininho que sempre ficava na esquina lá de casa, em Copacabana, me dava uma pena, ele era tão magrinho! Dá vontade de chorar só de lembrar.
Aqui, só me pediram dinheiro uma vez, mas de uma forma bem menos ofenciva, e não me xingaram por não ter dado. O que penso é que estes mendigos vivem no centro da cidade, possivelmente eu os vejo mais que a maioria da população, pois moro no centro, pois quem mora no suburbio não tem tanto contato com a pobreza desta forma. Outro dia uma amiga teve sua casa roubada, levaram tudo, mas como estava assegurada, o prejuízo foi mesmo emocional. Ela e o namorado moram num subúrbio que não é dos mais quietos, mas também não acontece este tipo de coisa o tempo todo. E violência aqui, tem uma repercussão enorme, não faz parte do dia-a-dia deles. Acho que para nós, brasileiros, é só mais uma notícia para aumentar as estatísticas, já estamos acostumados, o que é muito triste.
Eu já me peguei pensando nas coisas que sentirei falta daqui, se voltar para o Brasil, confesso que já tenho algumas, mas estas ficarão para um próximo post…