Cheirinho de Brasil

Bernarda Maia May 22nd, 2008

Ontem a noite cheguei em casa e chequei a caixa dos correios. Tinha uma carta dos correios dizendo que havia chegado uma carta pra mim, mas que não pôde ser entregue pois eu não estava em casa.

Então lá fui eu hoje aos correios, pertinho aqui de casa, para pegar a tal carta. Estava lá, uma caixinha retangular e com um adesivo enorme amarelo dizendo que minha caixa havia sido aberta para fiscalizar se havia alguma coisa que não poderia entrar na Australia. Olhei do outro lado e a caixa havia sido enviada por uma amiga querida que eu conheci na faculdade de jornalismo da UniverCidade que, para quem não sabe, iniciei no primeiro semestre do ano passado e tive que trancar no fim do semestre pois vim para cá.

Vivi é um doce de pessoa, ligada numa bateria de 500 volts, mente incontrolável, ainda bem, pois é uma menina genial dona de um blog igualmente genial. Cinéfila, amante da boa música e leitora, grande leitora, nerd de carteirinha, que está a procura do seu neverland. Sim, Vivi, eu estou te devendo responder um email, mas ainda não achei o que você me pediu…calma que eu acho.

Voltando à caixa que a Vivi me mandou, eu estava andando pela rua, e tentando tirar aquelas fitas adesivas todas que usam pra lacrar as caixas, um saco! Enfim, puxa daqui, cola um pedaço de fita que saiu na calça jeans ali e finalmente consigo abrir a caixa. Qual não foi minha surpresa, um misto de alegria e saudade imensa, e mais ainda porque a gente, quando tá longe, percebe como existem pessoas que estão pensando na gente. O conteúdo da caixa exalava o melhor odor que senti nos últimos 6 meses…uma caixa de Chá Mate Leão e um pacote de chicletes Trident de canelaaaaahhhhhhh

Me sentei no primeiro banco da rua que encontrei, pois as lágrimas saíam dos meus olhos compulsivamente, solucei alguns minutos ali, lendo aquela carta linda que veio junto, e analisando os saquinhos de sal que também vieram na caixa, e que nem me liguei que eram para o cinema, pois como escrevi num post aqui, não tem sal no cinema para a pipoca, temos que nos contentar com o gosto da pessoa que faz a pipoca.

A Vivi leu um post meu antigo em que eu dizia algumas coisas que eu sentia falta e entre elas estava o mate e o trident de canela. Nunca pensei que fosse sentir o gosto dessas coisas tão cedo, por isso me debulhei em lágrimas de saudade e emoção, tudo junto, graças a uma amiga amada, que é de uma sensibilidade!

Muito obrigada, minha amiga, como sinto falta de você e das nossas conversas e aulas. Muito obrigada por me proporcionar um momento único, nunca pensei mesmo que voltaria a sentir o gosto que sinto agora, de canela, enquanto escrevo este post-carta para você.

Beijos enormes e mais uma vez, muito obrigada por me dar o prazer de sentir um pouquinho mais de perto a sua amizade e o cheirinho do Brasil. Não sei se você sabe, mas esta foi a primeira carta do Brasil que chegou desde que vim pra cá! :)

O correio da Austrália abriu a caixa do mate e o saco do chiclete, acho que estavam conferindo se não eram drogas ou qualquer outra coisa que fosse proíbida por conta da quarentena que eles tem aqui, muitas coisas são proibidas de entrar pois eles morrem de medos de pragas. O que eu entendo e agradeço, pois pude sentir o cheiro que senti quando abri a caixa!

O caso da máquina de tickets

Bernarda Maia April 21st, 2008

Foto retirada do google image

Semana passada estive em Sydney para um workshop de Arquitetura de Informação (que merecerá um post a parte só pra falar disso, já que foi o motivo do meu sumiço por aqui). Claro que aproveitei para dar uma passeada pela cidade e conhecê-la, já que provavelmente muito em breve iremos morar lá. Em próximos posts falarei mais sobre Sydney, mas queria registrar um caso bem interessante aqui para os interessandos em usabilidade.

Saí do aeroporto de Sydney já sabendo o que tinha que fazer, pegaria um train para o centro da cidade e de lá um taxi para casa dos amigos que me abrigaram por quase uma semana - deixo aqui mais uma vez o meu agradecimento a Cacau e Alexandre que foram muito fofos em me aturar. Bom, eu não conheço muito países ou cidades no mundo, mas fiquei bem feliz de saber que tinha uma estação de train dentro do aeroporto.

Tudo muito bem, a sinalização para a estação de train estava perfeita, não tive dificuldade alguma para chegar até lá. Ao chegar vi dois guichês para comprar o ticket com filas enormes e algumas máquinas vazias, resovi pelas máquinas. Porém fiquei chocada, aquilo é um atentando a capacidade de qualquer ser humano e chega a ser motivo de piada. É tão complicada de usar, que é preferível ficar na fila do caixa.

Os caras que desenvolveram aquilo deveriam ser punidos, eles nunca ouviram falar em usabilidade! É claro que para quem já usa com frequência já deve ter se acostumou com a insanidade, mas para mim, que estava mexendo pela primeira vez, quase quebrei aquela porcaria, na vez anterior a conseguir finalmente meu ticket, eu já apertava as teclas com tanta força, com tanta raiva, que a mulher que estava do meu lado ficou olhando com uma cara assustada…

Descrevendo, ou tentado descrever, a bichana. Ela tinha pelo menos 350 botões, não é exagero. A primeira coisa que se tem que fazer é escolher o seu destino entre 330 destinos, se não contei errado, mas pela foto acima acho que é por aí mesmo. Depois você escolhe que tipo de ticket você precisa, 2 horas, diário, semanal…Então escolhia-se, se precisasse, o número de viagens, acho que o máximo são 10, mas não tenho certeza. Se a pessoa tem alguma concessão, ela tem que escolher entre algumas que são oferecidas. Depois você efetua o pagamento em nota ou moeda, e é dado o troco, caso você não tenha o dinheiro certo. Pelo menos o troco é dado direitinho, porém, na maioria das máquinas que dão troco, que não são todas, o troco máximo é de AU$19,90 dólares. Mas até que nem é tanto problema, pois nos guichês você pode pagar com notas grandes, caso não tenha menor, o problema é que na máquina tem estampado como vocês podem ver na foto, as notas australianas até AU$50 doláres. Ou seja, se eu sou desatenta e quero um ticket com retorno, eu pago AU$4,20 com uma nota de AU$50, que está ali estampada, e fico sem meu troco correto, é isso? Ou seja, eu TENHO que ver que o troco máximo é de 19,90, que está numa posição acima dos meu olhos, escrito numa luz verde horrorosa, que me lembrou o primeiro computador que tive contato, um gradiente MSX, com aquela tela preta e que escrevíamos em verde.

Espero que vocês tenham sentido um pouquinho da frustração que eu senti ao tentar me entender com aquela máquina. Certamente ela tem mais problemas, mas eu sinceramente não tive muito tempo pra analisar, pois sempre tinha alguém atrás de mim na fila ou estava com pressa. Além disso, não podemos esquecer que só fiquei em Sydney por 5 dias.

Sobre o Twitter

Bernarda Maia March 12th, 2008

Eu uso o Twitter há algum tempo, mas sei que não é tão simples de entender como funciona pelo número de pessoas que já me perguntaram para que o Twitter serve e como fazer para entrar. Acho que a resposta está bem exemplificada no vídeo acima que está em inglês, espero que todos compreendam.O Twitter é uma ferramenta rápida de comunicação, ele é um micro-blog, ou seja, não tanto para um blog e nem tanto para um e-mail. O Twitter serve para informações rápidas sobre você, o que está fazendo ou o que acabou de ver acontecer na rua, por exemplo. Você pode escrever apenas 140 caracteres, não mais que isso, ou não aparecerá o pedaço que ultrapassou os 140 caracteres, que são três linhas completas.O interessante é que você pode passar a conhecer melhor as pessoas em que você segue, como aquele colega de trabalho que senta do outro lado da sala em que você trabalha ou até mesmo o informe do trânsito antes de voltar para casa após o trabalho, pois existem vários canais de notícias fazendo parte do Twitter.

Para entrar no Twitter, basta se cadastrar gratuitamente aqui

Depois você procura seus amigos ou os convida para participar e passa a seguí-los (follow). Se quiser, pode autorizar notificações das atualizações de quem você segue ou não. Esta parte é um pouco mais complicada, pois você precisa cadastrar uma conta de mensagem instantânea (IM) ou o seu celular para receber e enviar mensagens através de SMS. Se não quiser, basta acessar as mensagens pelo próprio site.

:)

Os 50 blogs mais poderosos do mundo

Bernarda Maia March 12th, 2008

Há alguns dias, saiu uma lista no The Observer com os 50 blogs mais poderosos do mundo. Vale a pena dar uma conferida.

É uma lista bem diversificada, portanto, se você não acompanha nenhum blog que está listado ali, é a hora e a chance de ter em mãos um bom guia.

Melbourne - Capital da Poluição

Bernarda Maia March 11th, 2008

Conversando com meu marido outro dia, ele me disse ter a sensação de que o nariz dele coçava mais aqui em relação ao Rio. Já mencionei num outro post que uma das coisas que não sentia falta do Rio era justamente da poluição, que aqui parecia ser bem menor. Bem, acho que meu marido tinha razão em sentir o nariz incomodar, Melbourne não é tão limpa assim como eu pensava. Eu sei que este papo não é agradável, mas ele não é para ser mesmo.

Em uma pesquisa recente feita pela associação de ônibus de Victoria, e publicada pelos jornais australianos como o The Age, mostra que carros, motos, caminhões e ônibus emitem mais gases do efeito estufa em Melbourne do que em uma das cidade mais poluídas do mundo, Londres. Eles são responsáveis pela emissão de 11 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano contra 8 milhões e meio em Londres. Até mesmo os trens e bondes colaboram mais com a poluição do que os trens ingleses, pois utilizam eletricidade à carvão (brown coal), que é mais prejudicial ao meio ambiente.

A Bus Association of Victoria está preocupada com os dados e propõe, como uma das soluções, o investimento no transporte público. Segundo a associação, um dos problemas enfrentados são as grandes distâncias entre os subúrbios e o centro da cidade o que torna o trajeto dos transportes mais longo e faz com que muitas pessoas utilizem carros, reduzindo assim o número de passageiros nos trens, bondes e ônibus.

New Year in Melbourne

Bernarda Maia March 8th, 2008

True Live

The experience of a person who spent the last ten new years watching the fireworks at Copacabana beach, was very interesting. The year hadn’t changed yet in Brazil and here it was the morning of 1st of January and for me it was very strange to think that at the same time my whole family and friends were together celebrating the end of 2007 and anxious waiting the beginning of the New Year.

It was difficult to decide what to do here in Melbourne on the NYE since we didn’t know anybody but it is not a problem for us, because we spent the last NYE together, only two of us and it was our choice.

We were invited for a party on a friend of Phillip’s friend house and then we were supposed to go to a nightclub party. But a party in an unknown friend’s house and in a night club is not exactly what we like, especially because we don’t like hip hop (kind of music that is popular here at the moment). We decided to decline the invitation.

Some days ago we had dinner in a Greek restaurant near our building and we met a couple that I met at Phillip’s company party, where the guy works. We were talking about the NYE and they told us that every year on Yarra River there are fireworks to celebrate it, so we decided to go.

On the NYE day, I spent the whole day cooking black beans because we don’t have the special pressure cooker for that. I took more than normally it would take to be cooked. On the menu we had rice, black beans, salad and porterhouse (the way that they cut the beef here is different, and I don’t know which part of the cow is that but a porterhouse is a big steak and if you go to a restaurant in Rio de Janeiro called Outback and order a special dish called Melbourne you will have a Porterhouse which is a tender steak).

It was ten past eleven when we were ready to go to the Yarra River. We set up everything and I took the bottle of champagne from the refrigerator when Phillip looked at me and said haltingly: “My love, where do you think you are going with this champagne? And I said surprised: Why?! And he continues: Because here is prohibited to drink on the streets and if you get caught by the police you have to pay AU$200! When he said that, the only thing that I could think of was our last NYE in Copacabana beach where everybody pops a cork at midnight!

Well…I shall continue…

We left our apartment and walked in Federation Square direction, which is basically in the end of the street that we live. As we expected, the streets were busy and there were lots of parties around here, although we were not expecting a hot night! When we arrived on Fed Square we were sweating and quite uncomfortable because in fact there were lots of people drunk and drinking on the streets!

We watched the concert of an Aussie band called True Live while we were waiting for the beginning of the New Year. The band was pretty good, but we decided to go to the Yarra River to see the fireworks and as an amateur photographer I was very excited to shoot the fireworks.

Ten, nine, eight, seven, six, five, four, three, two, one…Happy New Year! Everybody was celebrating 2008 and while me and Phillip were hugging each other I was paying attention to the people around us. There were lots of Japanese, Chinese, Vietnamese, Korean, and Indian people and I could hear them speaking in their languages, probably whishing good things to each other and it was really emotive for me. Because I felt comfortable in the middle of that multitude when I realized that I wasn’t the only one that was an outsider, that lots of people, were also far away from their families and homes.

Ten minutes of fireworks on the sky and I started to make jokes and think of funny things while shooting… “Phillip?!”, I said, That is something really interesting. And he obviously asked, “What?!” and I concluded “That is the first thing that I am seeing that is really created by Chinese and I don’t know if it is Made in China! Everything here is made in China, maybe not everything, but a considerable number of things. The Australians could finally have bought something original!” He laughed…and so did I.

The fireworks finished and when we came home to pop some champagne the cork flew forty-one floors below. I called my mother through Skype and she was very happy and suddenly the TV turned on by itself – the remote control was squeezed between the sofa and the wall – and there was a film starting and coincidentally it was a Brazilian movie, called “Os Normais” (“The Normals”). We laughed a lot because it had English subtitles and for us it is really funny! Well, of course we watched the movie that finished three in the morning and we were to bed with that sensation of “The End”

Happy New Year!

Participando da brincadeira

Bernarda Maia March 6th, 2008

Já dizia o ditado: Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.

Brincadeira roubada do Sanna’s Closet, que roubou do Quase um Blog

A brincadeira que está rolando nos blogs é: Pegue o primeiro livro que está próximo a você, abra na página 161 e copie no seu blog a 5a frase completa desta página.

A minha é do livro “The Shadow of the Wind” (A Sombra do Vento) de Carlos Ruiz Zafón. Este livro é um dos meus preferidos e comprei ele hoje em inglês para enviar a uma pessoa que ficou com ele numa historical fiction swap de um site de troca de livros, do qual eu participo graças a uma amiga amada - que também é madrinha do meu casamento - que me apresentou, chamado Book Obsessed

Aqui vai a frase: “The one and only”.

Nossa! muita coisa passou pela minha cabeça quando li esta frase…desde o meu cachorro lindo que ficou no Brasil, até as coisas que tenho vivido ultimamente.

Valeu a brincadeira, gostei de pensar no que pensei com esta frase.

Aproveito e deixo a dica, o livro é excelente, a história é facinante e instigante. Como disse, faz parte dos melhores livros que já li e que não foram poucos…

Coisas que sinto falta e outras…nem tanto

Bernarda Maia March 5th, 2008

Foto tirada pelo Phillip com seu celular Nokia N95

Eu já falei algumas vezes aqui do desafio de estar num país novo, das coisas diferentes com as quais estou tendo que me acostumar. É claro que com o tempo eu irei me acostumar e certamente sentirei até falta se um dia voltar. Mas o problema são as coisas que sinto falta do Brasil. Estas sim são bem difíceis de lidar.

Acho que o que mais sinto falta, sem sombra de dúvidas, é do Mate Leão Diet. Comecei até a agradecer por ele ter sido vendido para a Coca-Cola, o que na época da venda me deixou bem decepcionada, e estou torcendo para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) liberar logo a venda, pois assim existe alguma possibilidade de ter aqui também. Às vezes sinto o sabor surgir na minha memória, e me dá uma saudade enorme. Nada como um Mate geladinho! A sengunda bebida que sinto falta é do guaraná Antártica, mas este ainda consigo encontrar aqui, e como não bebo muito refrigerante, nem é tão problemático assim.

A comida aqui é bem diferente também, acho que não existe uma comida tipicamente australiana, e se você olhar ao redor, verá comida do mundo todo, asiática principalmente, e todos adoram. Eu posso dizer que em toda a praça de alimentação tem vários fast food chineses e japoneses, pelo menos um indiano e um KFC ou alguma coisa de frango, como o Nando’s - que é uma cadeia de fast food daqui. O problema é que todas estas comidas são muito gordurosas, eu até gosto de comida indiana, mas geralmente só como a carne e deixo o molho em que a carne vem, pra lá, pois é super oleoso. Acho que a comida que mais gosto é a Grega. Adoro Mussaka, um bolo de carne moída com beringela. É uma delícia, bem temperada e sem farinha nenhuma. E o melhor é que tem um restaurante Grego 24 horas aqui na esquina, chamado Stalactites, que é uma delícia.

Ainda falando sobre comida, uma coisa que nunca me fez falta mas que foi muito bom achar por aqui, foi feijão preto, eu nem como muito, mas de vez em quando é tão bom sentir o gostinho…e graças a Polly, uma querida amiga brasileira que conheci aqui, agora temos farofa! Ela me trouxe farofa e Café Pilão que conseguiu na Casa Ibérica, local que preciso visitar! Ainda não fui. Foi tão bom tomar o nosso café…

Outras coisas que queria que tivessem aqui: achocolatado Diet Gold, que sempre tomava de café da manhã, iogurt sem açúcar, geléia sem açúcar, peito de peru Sadia, Restaurante à Quilo (ai que saudade!!!), saquinho de sal no cinema (a pipoca é completamente sem sal), polenguinho, queijo minas, requeijão, sucos naturais como os do Bibi Sucos, a salada que eu montava no Bibi Sucos, o café da manhã do Cafeína (especialmente lendo jornal com o marido nos fins-de-semana), uma boa manicure e pedicure, chiclete Trident de Canela, mamão papaya, bala Halls de cereja diet, a linha Diet de sorvetes do Itália, revistinhas da Turma da Mônica (eu era assinante), água de coco na praia…tenho certeza que me lembrarei de mais coisas que me escaparam agora.

Só uma observação: os produtos que dizem ser diets aqui, na verdade não são, a grande maioria tem açúcar.

Também sinto falta dos dias agradáveis de verão do Rio. Aqui o clima é tão inconstante!!! Posso acordar com um dia chuvoso e frio e terminar com um belíssimo pôr-do-sol, sem exagero nenhum.

Das coisas que não sinto falta:

Outro dia estava passando embaixo de uma ponte e senti aquele cheiro de poluição e me dei conta que não sentia este cheiro há muito tempo! O Rio nem é uma cidade tão poluída como São Paulo, por exemplo, mas sentia bastante este cheiro que aqui não sinto, confesso que queria saber sobre os índices de poluição de Melboune, ainda vou dar uma checada e ver o que acho.

Outra coisa que definitivamente não sinto falta, e muitos amigos me falaram quando vim pra cá que eu ia esquecer que existe, são dos mendigos na rua. Aqui tem, claro. Mas nada comparado às ruas do Rio, menos ainda por não ver criança, o que era deprimente pra mim, outro dia cheguei a sonhar com um menininho que sempre ficava na esquina lá de casa, em Copacabana, me dava uma pena, ele era tão magrinho! Dá vontade de chorar só de lembrar.

Aqui, só me pediram dinheiro uma vez, mas de uma forma bem menos ofenciva, e não me xingaram por não ter dado. O que penso é que estes mendigos vivem no centro da cidade, possivelmente eu os vejo mais que a maioria da população, pois moro no centro, pois quem mora no suburbio não tem tanto contato com a pobreza desta forma. Outro dia uma amiga teve sua casa roubada, levaram tudo, mas como estava assegurada, o prejuízo foi mesmo emocional. Ela e o namorado moram num subúrbio que não é dos mais quietos, mas também não acontece este tipo de coisa o tempo todo. E violência aqui, tem uma repercussão enorme, não faz parte do dia-a-dia deles. Acho que para nós, brasileiros, é só mais uma notícia para aumentar as estatísticas, já estamos acostumados, o que é muito triste.

Eu já me peguei pensando nas coisas que sentirei falta daqui, se voltar para o Brasil, confesso que já tenho algumas, mas estas ficarão para um próximo post…

Esclarecendo alguns pontos

Bernarda Maia February 17th, 2008

Eu estou tentando me acostumar com as peculiaridades culturais australianas. Tem algumas coisas que não consigo entender muito bem e gostaria que os meus poucos leitores me ajudassem.

Eu cheguei aqui há quase 3 meses. O primeiro desafio encarado foi o linguístico, me acostumar com o Inglês em si, com as gírias e expressões, que não são poucas e que ainda estou me acostumando e aprendendo, tais como: shout you, mate, what’re you up to?, beautiful! (sempre falado quando algo é muito bom e geralmente com a seguinte intonação: beeeautiful!), no worries (essa é muito comum), cool bananas (eu já ri muito dessa expressão), Jeez! (abreviação para Jesus e sempre falado assim: Jeezz!), Fugly ( mistura de fucking ugly), enfim, tem muitas outras ainda que não me lembro ou ainda não sei.

O segundo é com a maldita mão invertida dessa cidade. Até na escada rolante este povo pára do lado esquerdo, caso alguém queira passar e ficam emburrados caso a gente ocupe o lado direito, mesmo sendo um casal e estando de mãos dadas, um do lado do outro. Cheguei a conclusão que povos desenvolvidos não tem tempo a perder mesmo, nem na escada rolante!

Ainda neste sengundo desafio, outra coisa terrível com a mão invertida é fato de ter que atravessar a rua olhando para todos os lados, até pra cima e pra baixo eu olho. Em todos os sinais, quando abre para os pedestres, tem um aviso sonoro para cegos, assim como rampa de acesso para cadeirantes. Essa cidade chega a ser perfeita demais às vezes, não me dá a menor chance de falar mal, ao menos em alguns quesitos, como este.

O próximo desafio será alugar um carro, que certamente terá câmbio automático, nem preciso dizer o motivo, certo? Pode deixar que conto aqui a experiência, se estiver inteira, claro.

O terceiro desafio que enfreitei é quanto ao comportamento diante das pessoas que conhecemos recentemente e por conseguinte não temos intimidade. Lidar com a cultura alheia é algo bem complicado. O povo britânico é famoso por sua formalidade, o australiano, por ter sido colonizado pelos britânicos, teoricamente têm uma postura parecida. Bem, a teoria até que funciona, às vezes.

Deixem-me explicar do que estou falando. Logo quando cheguei aqui, umas meninas que conheci do trabalho do meu marido me disseram que sempre que me convidassem para uma festa ou reunião em casa, eu deveria levar uma bebida e algum agrado para a dona/o da casa, tipo um chocolate ou flores, pois era o esperado. Ok, eu poderia fazer isso no Brasil também, mas acho que no meu país as coisas são bem menos formais, levaria certamente umas cervejas e estaria ótimo, dado os amigos que tenho e amo.

Eis que um dia, eu e meu marido convidamos um casal para jogar um jogo de tabuleiro aqui em casa há umas semanas e eles não trouxeram nada e nas vezes seguintes continuaram não trazendo. Eu não ligo, e não estou fazendo nenhuma crítica, pois como uma boa brasileira, minha casa estava cheia de bebida e comida. Só concluí que o de praxe não era tão de praxe assim. Mas depois pensei, será que é pelo fato de sermos brasileiros, já que todos dizem que somos casuais? (casual é um adjetivo que me preocupa pela proximidade com o mal-educado, mas não vou discutir isso, foi só uma reflexão)
Bem, quando uma inglesa que também não tenho tanta intimidade, veio jantar aqui em casa, ela trouxe champagne e flores. É, acho que os ingleses são realmente formais e os australianos são como os brasileiros no final das contas, o que é ótimo pois não me fará forçar uma educação que não é a minha e evita me deixar sem graça.

Outra coisa que eu aprendi com um grande amigo australiano que fala português, é que os australianos não falam a letra R e nós, principalmente os cariocas, falamos tudo com R. Ele quem fez a montagem da foto acima. Outro dia ele estava falando coloful e eu não entendia, e ele repetiu coloful , coloful, acho que na terceira vez entendi…ahhhhh coloRful!
Ele sempre me diz: para falar como um australianos você tem que esquecer a existência do R.

Bom, caro amigo, tenho uma coisa a dizer: Não é só do R que tenho que esquecer, preciso aprender e esquecer de muitas coisas para viver bem aqui, mas até que estou gostando muito!

Rubber Duck Race - English Version

Bernarda Maia February 13th, 2008

The Australia Day was Saturday 26th of January and here, when a holiday falls in a weekend, the holiday passes to Monday. If we do that in Brazil we wouldn’t work any more because we have so many holidays most of which are useless.

The weekend had lots of celebrations around the country, including, in Melbourne, lots of things like expositions, exhibitions of films, the nomination of the Australian citizen of the year, concerts and a RUBBER DUCK RACE!

Yes, that’s it! The rubber duck race happens every year on the Yarra River. You buy your numbered duck on the website of the race for AU$5. Unfortunately we discovered it too late, because the winner won a car.

When I heard about the race I though it was bizarre but when I saw the pictures of twelve thousand ducks in last year’s race on the Internet, I convinced myself that it was true. This year there were 27,000 rubber ducks with their swimming caps (painted, of course) ready to start.

There was a Drag “Duck” Queen who was responsible for the beginning of the race. She was wearing yellow clothes and an embroidered umbrella also yellow. It was very funny but the funniest thing was the narration of the race by a guy who didn’t have much to say because the race finished in 5 minutes and number 25,888 was the winner.

The race was managed from four boats. Between two of the boats were swimming pool lane ropes and the ducks swam through this lane. The other two boats helped to keep the ducks inside the lane and picked up those that escaped. Some ducks, however, were getting close to the riverbank, the boats couldn’t get them, and children ran to get them (I tried also). There was a boy with an Australian flag over his shoulders who jumped into the river, took some of the rubber ducks and threw them to the children on the side, waiting.

I found it very interesting to see Australian citizens wearing clothes with the Australia colors and flags on their national day, especially the young citizens, because it demonstrates that they are proud of their nation.

The 26th of January 1788 was the day that the English Captain Arthur Phillip arrived in Sydney, New South Wales, and established a new colony. Since then, this day has been celebrated as not only the day that the first Europeans arrived but also as the start of Australian history, at least in the eyes of the world, because like the Brazilian Indians in my own country, the Aborigines had been living here for thousands of years.

Whoever had this idea of a rubber duck race, had a strange idea but it works!

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